Defesa de Vorcaro finaliza proposta de acordo por delação premiada; veja os próximos passos

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 11:54
Daniel Vorcaro, banqueiro preso. Foto: reprodução

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro prepara a entrega de uma proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O material, que deve ser formalizado nesta semana, está em fase final de ajustes e será apresentado sob sigilo aos investigadores.

Segundo o Estadão, os advogados do dono do Banco Master já comunicaram às equipes da PF e da PGR que conseguiram fechar um escopo considerado satisfatório para a colaboração. A proposta, porém, ainda não foi oficialmente entregue. O documento deve reunir uma lista de temas a serem tratados por Vorcaro, conhecidos como “anexos” da delação.

Cada anexo corresponde a um assunto específico, com indicação de pessoas envolvidas, fatos narrados e possíveis meios de prova. A entrega do material marca uma nova etapa nas negociações, mas ainda não significa que o acordo será aceito. Os investigadores terão de avaliar a consistência, o ineditismo e a utilidade das informações apresentadas.

Caso a PF e a PGR considerem o conteúdo relevante, a negociação poderá avançar para a definição de condições de pena, devolução de recursos e tomada formal de depoimentos. Ao fim desse processo, poderá ocorrer a assinatura do acordo de colaboração premiada. Os investigadores, no entanto, também podem rejeitar a proposta ou pedir complementos caso entendam que os relatos são insuficientes

A expectativa é que a defesa de Vorcaro inclua como peça complementar a delação de seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado nas investigações como operador financeiro de pagamentos ilícitos. Zettel já trocou sua equipe de defesa para seguir com uma colaboração, mas não buscou negociação independente. A ideia é apresentar os acordos de forma conjunta.

Pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução

Vorcaro também deve tentar incluir no acordo algum tipo de proteção a familiares citados nas apurações, como seu pai, Henrique, e sua irmã, Natália. Ambos aparecem em investigações relacionadas ao Banco Master.

Desde o início das conversas, os investigadores avisaram à defesa que a proposta precisaria trazer fatos novos e elementos de prova além dos dados já extraídos do celular do banqueiro. Como a investigação já reuniu grande volume de material sobre suspeitas de crimes financeiros no Master e outros delitos atribuídos a Vorcaro, a análise da delação deve ser rigorosa.

Há expectativa de que o banqueiro esclareça, entre outros pontos, sua relação com políticos e integrantes do Judiciário. Vorcaro foi preso pela segunda vez em 4 de março. No dia 19 do mesmo mês, assinou termo de confidencialidade para iniciar a negociação e foi transferido de um presídio federal de segurança máxima para a Superintendência da PF em Brasília.

O processo de elaboração durou cerca de 45 dias, com visitas diárias dos advogados. A defesa teve acesso à cópia da extração do celular apreendido pela PF, usada como uma das bases para a proposta.

Enquanto Vorcaro preparava sua delação, outro investigado da Operação Compliance Zero também manifestou interesse em colaborar: o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso em 16 de abril.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.