Defesa de Vorcaro prepara nova tática para negociação de delação

Atualizado em 16 de março de 2026 às 9:55
O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Segundo informações da CNN, advogados que acompanham o caso do banqueiro Daniel Vorcaro relataram que a estratégia inicial de uma delação premiada proposta por ele tem como objetivo principal atingir políticos, ao mesmo tempo em que busca isentar o Supremo Tribunal Federal (STF) de eventuais acusações. Fontes próximas ao caso detalharam pelo menos três motivos que justificam essa abordagem.

O primeiro fator seria a busca por uma validação da Procuradoria-Geral da República para a delação, especialmente considerando a proximidade do PGR, Paulo Gonet, com ministros do STF.

Esse movimento também leva em consideração a relação do Procurador Geral com o ministro Alexandre de Moraes, a quem ele se aproximou durante o inquérito da trama golpista, e que, em tese, poderia ser alvo de delação devido a um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório da esposa de Moraes e o banqueiro.

Em segundo lugar, a escolha de José Luis de Oliveira Lima, o Juca, como novo advogado de Vorcaro, reflete uma estratégia voltada para a manutenção da segurança da delação. Ele tem boas relações com membros da Corte, como o ministro Dias Toffoli, que também poderia ser mencionado, considerando um negócio realizado entre o banco Master e um fundo do qual ele e seus familiares têm participação.

Por fim, o risco de uma delação premiada que envolva altas autoridades do Judiciário é visto como extremamente arriscado para qualquer escritório de advocacia. A Operação Lava Jato é uma lembrança recente, pois começou a sofrer revezes quando começou a envolver figuras do próprio Judiciário.

Além de políticos, a delação de Vorcaro também pode incluir crimes financeiros, especialmente considerando que o novo defensor dele também representa João Carlos Mansur, outro alvo das investigações. Mansur foi responsável pela fundação da Reag, parceira do banco Master em diversas operações.

Fontes indicam que Mansur também pode ser levado a firmar um acordo de delação premiada. Outro ponto que deve ser abordado na delação são as relações do banco Master com carteiras de crédito consignado, como o CrediCesta.

Este cartão de crédito consignado, com juros abaixo do mercado e direcionado a servidores públicos, foi uma das principais inovações do banco e foi idealizado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que rompeu com ele mais tarde.

Caso a PGR não aceite a delação proposta, Vorcaro pode optar por uma alternativa, buscando um acordo com a PF.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.