
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que declare o impedimento do ministro Alexandre de Moraes para relatar o inquérito que apura a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. Os advogados também solicitaram que o caso seja redistribuído ao ministro André Mendonça.
A petição sustenta que Moraes deveria deixar a relatoria porque sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, teria relação com uma sociedade investigada no caso. A defesa também citou o uso, pelo ministro, de um avião que a Polícia Federal apontou como um dos elos entre Flávio, Willer e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O inquérito apura a suspeita de que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz mantinham uma sociedade indireta para lavar dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. No âmbito dessa investigação, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, a entrega de seu passaporte italiano e a proibição de contato entre Flávio e o advogado.
Após a derrota eleitoral para Lula (PT), Flávio não entregou os documentos e deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina antes de seguir para os Estados Unidos. A defesa pediu a revogação das cautelares e contestou os argumentos usados para apontar risco de fuga. “Questionar o resultado de um pleito pelas vias institucionais não é, nem pode ser, indício de fuga”, afirmaram os advogados.

Petição cita avião usado por Moraes e por Flávio Bolsonaro
Os defensores apresentaram três peças, assinadas por Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro. Caso o Supremo não aceite o impedimento, eles pedem que reconheça a suspeição de Moraes para conduzir a investigação.
A PF identificou uma viagem de Flávio Bolsonaro, sua mulher, duas filhas e Willer Tomaz entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília, em janeiro de 2025. O grupo usou o jato Legacy 650 de prefixo PP-NLR, pertencente à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.
A empresa tinha participações de Willer Tomaz, do fundador da TOTVS, Laércio Cosentino, e da Prime You, companhia da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. A petição menciona que Moraes e Viviane Barci viajaram no mesmo Legacy 650 em julho e agosto de 2025. A PF apura se Vorcaro negociou cotas da Fraction 024 como parte de pagamento ao escritório de Viviane, contratada pelo Banco Master por R$ 130 milhões.
A defesa também alegou que o inquérito deveria ficar com André Mendonça por ser, segundo os advogados, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS e já tem Mendonça como relator. Se o Supremo redistribuir o caso, os advogados pedem que as medidas cautelares determinadas por Moraes sejam anuladas.