
O déficit comercial dos Estados Unidos saltou 42,2% em maio e chegou a US$ 77,6 bilhões, cerca de R$ 400 bilhões, mesmo com a política de tarifas adotada pelo governo do presidente Donald Trump para encarecer importações.
Dados divulgados pelo governo americano nesta terça-feira (7) apontam que as importações cresceram 3,3%, para US$ 395,3 bilhões, enquanto as exportações recuaram 3,2%, para US$ 317,7 bilhões. O déficit ocorre quando um país compra mais bens e serviços do exterior do que vende a outros mercados.
O Departamento de Comércio dos EUA atribuiu parte da alta das importações a bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática. O avanço dos investimentos em inteligência artificial também elevou as compras externas de equipamentos e insumos usados na construção de centros de dados.
Nas exportações, as vendas de petróleo bruto e derivados aumentaram após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Medicamentos, por sua vez, registraram queda nas vendas externas americanas.
A política tarifária de Trump busca estimular a produção doméstica e reduzir a dependência americana de fornecedores estrangeiros. A tarifa global mínima em vigor é de 10% sobre a maioria dos produtos importados, com taxas adicionais para setores como aço, alumínio, automóveis e autopeças.

Empresas americanas continuaram ampliando compras no exterior, especialmente de itens considerados essenciais, como equipamentos de tecnologia, petróleo e componentes industriais. Especialistas apontam que parte das companhias antecipou importações para evitar possíveis aumentos de tarifas no futuro.
O governo americano também prevê novas tarifas para diversos países, incluindo o Brasil, em investigações comerciais abertas com base na Seção 301. As audiências desta semana com o representante comercial americano terão empresas e entidades, enquanto o governo brasileiro decidiu não participar e mantém negociações bilaterais com Washington.
Na frente brasileira, o governo contesta uma tarifa de 12,5% e classifica a investigação dos Estados Unidos como “arbitrária”. A medida aparece no mesmo ambiente de pressão comercial em que outros países podem adotar retaliações capazes de afetar as exportações americanas.
A política tarifária passou por mudanças após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, as tarifas globais de dois dígitos impostas por Trump no ano anterior. Como solução temporária, a administração americana adotou a alíquota geral de 10% para parceiros comerciais, regra com validade limitada e previsão de expirar ainda neste mês.
Em abril, o saldo negativo da balança comercial americana havia recuado na comparação com março, impulsionado pelo aumento das exportações de petróleo e derivados, que atingiram o maior volume mensal registrado.