Delação de Dario Messer amplia as suspeitas sobre Lava Jato de Curitiba. Por Luis Nassif

Atualizado em 13 de agosto de 2020 às 11:20
Dario Messer

PUBLICADO NO GGN

POR LUIS NASSIF

Tente explicar de forma a isentar a Lava Jato Curitiba de suspeitas graves:

1. O doleiro Dario Messer atravessa década sem ser incomodado pela Operação Banestado e pela Lava Jato, ambos conduzidas pelo mesmo time de procuradores e pelo juiz Sérgio Moro. Isso apesar de ser conhecido como o doleiro dos doleiros.

2. Ele entra no radar da Lava Jato Rio de Janeiro por outras investigações. Em pouco tempo é preso.

3. Ontem, noticia-se a delação premiada e a entrega de R$ 1 bilhão em patrimônio. Como é que pode um doleiro que acumulou R$ 1 bilhão de patrimônio ter saido ileso da Lava Jato Curitiba, “a maior operação anticorrupção da história”?

4. Antes, no celular de Messer a Lava Jato Rio de Janeiro identificou mensagens que falavam em pagamento de uma mesada de US$ 15 mil para o procurador mais experiente da Lava Jato Curitiba.

Questão: qual a explicação lógica que justifica o fato da Lava Jato Curitiba jamais ter alcançado Messer?

Recorro à Teoria do Domínio do Fato, a metodologia utilizada pelo Ministério Público Federal nas suas investigações. Consiste em desenvolver uma tese inicial para analisar os fatos e não se perder no labirinto das informações levantadas.

A teoria do fato óbvia é a seguinte:

1. Dario Messer pagava um mensalão para um procurador da Lava Jato  Curitiba, que garantia sua blindagem.

2. Como a operação era conduzida por vários procuradores, outros procuradores sabiam da blindagem e concordaram.

3. Aqui a narrativa permite dúvidas: ou faziam por influência do amigo ou porque partilhavam do butim. Em qualquer hipótese há crime de responsabilidade. Na segunda hipótese, há crime de corrupção.

Como modificar essa Teoria do Domínio do Fato?

Simples, apresentando outra Teoria que explique o fato do maior doleiro do pais, o doleiro dos doleiros, intimamente ligado a todos os crimes de lavagem de dinheiro do país, ter saído incólume das operações Banestado e Lava Jato Curitiba.