Delação de Vorcaro é vista como certa no Congresso após troca de advogado

Atualizado em 14 de março de 2026 às 7:28
Daniel Vorcardo, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

A possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro passou a ser considerada provável no meio político após mudanças em sua defesa e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). O dono do Banco Master trocou de advogado na última sexta-feira (13), substituindo Pierpaolo Bottini pelo criminalista José Luís de Oliveira Lima.

A mudança ocorreu poucas horas depois de a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a prisão preventiva do empresário. A decisão foi tomada no plenário virtual da Corte e seguiu o voto do relator do caso, o ministro André Mendonça.

No julgamento, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator. O presidente da Segunda Turma, Gilmar Mendes, ainda não apresentou voto. Já o ministro Dias Toffoli declarou suspeição e não participou da votação.

Segundo a CNN Brasil, nos bastidores políticos, a expectativa agora gira em torno de como poderá ocorrer uma eventual colaboração premiada do empresário. A dúvida é se o acordo seria firmado com a Procuradoria-Geral da República ou com a Polícia Federal. Em qualquer cenário, a colaboração precisaria ser homologada pelo ministro relator do processo no STF.

Outro ponto que preocupa interlocutores políticos é até onde Vorcaro estaria disposto a avançar em uma eventual delação em troca de benefícios judiciais. Há suspeitas de conexões do empresário com servidores públicos, parlamentares, líderes partidários e até integrantes do Judiciário. A investigação sobre a fraude financeira também colocou sob escrutínio relações do banqueiro com ministros da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Reservadamente, interlocutores ligados ao Centrão avaliam que um eventual acordo conduzido pela Polícia Federal poderia ter escopo mais amplo, inclusive com potencial avanço sobre integrantes do Judiciário. Já uma colaboração firmada com a Procuradoria-Geral da República poderia ter alcance mais limitado.

Segundo relatos obtidos pela imprensa, tanto a PF quanto a PGR foram sondadas por interlocutores de Vorcaro sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada. As conversas teriam sido preliminares e tinham como objetivo avaliar a disposição dos investigadores caso o empresário decida colaborar com as apurações.

O vazamento da sondagem ocorreu às vésperas do julgamento no STF e, segundo relatos, teria o objetivo de pressionar por uma eventual soltura do banqueiro. A estratégia, no entanto, não teve efeito imediato, já que a maioria da Segunda Turma se formou rapidamente para manter a prisão preventiva.

Entre aliados de Vorcaro, há a avaliação de que o empresário passou a considerar a colaboração após a prisão, numa tentativa de conter o avanço das investigações sobre familiares e parte de seu patrimônio.

O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, também está preso. Já o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal por supostamente ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome na gestora Reag Investimentos.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.