Delação revela mesada de R$ 100 mil a fiscal em esquema de combustíveis na Bahia

Atualizado em 30 de maio de 2026 às 14:38
Beto Louco Primo
O empresário Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Foto: Reproduçao/TV Globo

A delação dos empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, aponta o pagamento de uma mesada de até R$ 100 mil ao fiscal Olavo Oliva, ex-coordenador de combustíveis da Secretaria da Fazenda da Bahia. O acordo foi aceito pelo Judiciário baiano e embasou a Operação Khalas.

Segundo os delatores, o esquema começou em outubro de 2022 e durou cerca de dois anos. A atuação na Bahia teria sido articulada com o empresário Jailson Couto Ribeiro, da rede de postos Lubrijau, que teria proposto uma parceria para importar combustível por meio de fraude tributária.

A fraude, conforme a delação, consistia em importar gasolina quase pronta como se fosse nafta, produto que paga menos imposto. A nafta verdadeira precisa passar por refino para virar combustível. O grupo teria contado com a participação de Cyro Valentini, empresário ligado à refinaria Dax Oil, em Camaçari.

Depois da importação, o combustível era levado a uma formuladora no interior da Bahia e distribuído aos postos da Lubrijau. Com a parceria firmada, Primo e Beto Louco compraram 67% dos estabelecimentos da rede e passaram a atuar no estado.

Ilustrativa
A refinaria Dax Oil. Foto: Divulgação/Dax Oil

Os pagamentos ao fiscal, segundo a delação, eram feitos por meio de um contador. Além da mesada, os empresários relataram pagamentos específicos para interferência em processos na Sefaz. Em maio de 2024, o grupo teria pago R$ 500 mil a Oliva para acelerar um processo que incluiria a Dax Oil em regime especial de tributação na Bahia.

As mensagens citadas no acordo também apontam preocupação com fiscalizações. Em janeiro de 2024, Jailson avisou Mohamad que a Sefaz havia descoberto notas de uma distribuidora de São Paulo. “Mais por isso q pagamos né. Kkkk”, respondeu Primo.

A Sefaz afirmou que a Operação Khalas mostra que o governo estadual não hesita diante de casos que exigem apuração e informou que haverá desdobramentos administrativos e fiscais. A defesa de Cyro Valentini disse que ainda não houve denúncia do Ministério Público contra ele, afirmou que ele está à disposição das autoridades e declarou confiar na demonstração de sua inocência ao fim das investigações.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.