
O delegado responsável por registrar a detenção do deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) não requisitou exames para verificar eventual embriaguez do parlamentar após o disparo de sua arma em uma casa noturna no Itaim Bibi, em São Paulo. O boletim de ocorrência não registra pedido de dosagem alcoólica nem de exame toxicológico. Com informações da Folha de S.Paulo.
Vídeos da chegada ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, mostram Aguiar sendo amparado desde o desembarque da viatura até a entrada em uma sala. No depoimento, acompanhado de advogado, o deputado não informou se havia bebido, e o delegado Caio Giusti Rolla não perguntou sobre o consumo de álcool. O parlamentar afirmou ter passado mal e atribuiu seu estado a medicamentos que havia tomado antes de chegar ao bar.
A ausência dos exames pode ter consequências para a análise do porte de arma. O Estatuto do Desarmamento prevê que a autorização perde automaticamente a eficácia quando o portador é detido ou abordado embriagado ou sob efeito de substâncias químicas ou alucinógenas. Segundo a polícia, a pistola estava registrada em nome de Aguiar, que tinha porte válido para defesa pessoal.
O professor de direito penal da PUC-SP Cláudio Langroiva explicou que a autoridade policial pode oferecer o teste de alcoolemia, mas o detido tem o direito de recusá-lo. “Agora, a simples observação clínica não invasiva por médico do IML entendo que poderia ser feita”, afirmou. Segundo ele, cabe à autoridade policial decidir sobre a necessidade de encaminhamento e fundamentar sua decisão.
🚨 Deputado do PL se envolve em confusão e atira dentro de balada
Apesar de capturado em flagrante, Aguiar não ficará preso devido à imunidade política. A arma dele foi apreendida e será analisada pic.twitter.com/eBaXND5mIt
— Metrópoles (@Metropoles) October 19, 2026
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não explicou por que os exames não foram solicitados. Informou apenas que a investigação está a cargo da 3ª Delegacia Seccional e que as providências incluem a solicitação de imagens das câmeras do estabelecimento. O deputado e seu advogado não responderam às tentativas de contato da Folha.
Aguiar, de 53 anos, foi detido na madrugada desta segunda-feira (19), após o disparo no Santo Cupido Bar. O apresentador Fred Bruno sofreu ferimentos no pé e cobrou a apuração do episódio. À polícia, o parlamentar disse que passou por revista na entrada e que caiu ao se virar depois de ser chamado por um desconhecido, momento em que ouviu um estampido. Ele afirmou que portava uma pistola Glock G42 e sustentou que, se houve disparo, foi acidental.
Segundo o boletim de ocorrência, a confusão começou depois que Aguiar incomodou frequentadores. Os policiais militares relataram que o algemaram devido ao estado de exaltação e ao receio de que ele colocasse em risco a própria integridade ou a de terceiros.
A Assembleia Legislativa de São Paulo abriu também uma apuração administrativa sobre placas oficiais encontradas em um veículo que não pertence à sua frota. A SSP informou que investigará a possível utilização de placas adulteradas e afirmou que essa circunstância não foi comunicada à autoridade policial durante o plantão. As deputadas Ediane Maria e Monica Seixas, do Psol, acionaram o Conselho de Ética da Casa.