
Delegado da Polícia Federal que livrou Flávio Bolsonaro de uma investigação sobre ocultação de patrimônio e suspeita de lavagem de dinheiro, Erick Ferreira Blatt foi flagrado furtando um vidro de carpaccio de trufa em um supermercado no Shopping RioMar, no Recife. As informações são do colunista Guilherme Amado, do Metrópoles.
Segundo a denúncia, Blatt foi abordado por um segurança do estabelecimento, que encontrou o produto em seu bolso. O delegado chegou a ser detido, levado à delegacia e acabou liberado após pagamento de fiança.
NÃO FALHA! Delegado da PF que isentou Flávio Bolsonaro de lavagem de dinheiro é flagrado furtando iguaria de luxo em shopping no Recife. Erick Ferreira Blatt, de 50 anos, foi levado a delegacia e liberado após prestar depoimento. pic.twitter.com/npilCEPsQx
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) April 12, 2026
Ex-diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) no Rio de Janeiro e atualmente lotado em Pernambuco, Blatt conduziu em 2020 a investigação sobre suposta ocultação de bens de Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral. Ao final do inquérito, concluiu que o senador tinha “renda compatível” e que não havia indícios de falsidade ideológica eleitoral nem de lavagem de dinheiro.
Blatt também é apontado como um dos nomes envolvidos no atrito que resultou na saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em abril de 2020. Na ocasião, Moro acusou Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal após ouvir do então presidente a frase: “eu não vou esperar foder a minha família toda”.
Como presidente da ADPF, o delegado ainda foi acusado de contratar a empresa da namorada para produzir e entregar cestas de Natal para associados da entidade, o que seria vedado pelo estatuto da organização.

Além da apuração conduzida por Blatt, Flávio Bolsonaro também era alvo de investigação no caso das rachadinhas, conduzida por outro delegado da PF e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O inquérito acabou suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça em 2021, por decisão do ministro João Otávio Noronha, que um ano antes havia concedido prisão domiciliar a Fabrício Queiroz.
Na época, Jair Bolsonaro fez elogios públicos a Noronha. “Prezado Noronha, permita-me fazer assim, presidente do STJ. Eu confesso que a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista. Me simpatizei com Vossa Excelência. Temos conversado com não muita persistência, mas as poucas conversas que temos o senhor ajuda a me moldar um pouco mais para as questões do Judiciário. Muito obrigado a Vossa Excelência”, disse o ex-presidente.