Democratas cobram explicações de Rubio sobre entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA

Atualizado em 30 de outubro de 2026 às 10:13
Marco Rubio e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, para cobrar explicações sobre a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país. O ex-candidato à Presidência chegou ao país após fugir do Brasil sem entregar os passaportes, como determinou uma medida cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami com a mulher e as filhas. Os parlamentares querem saber se o Departamento de Estado participou da concessão de visto, se servidores estadunidenses conheciam as investigações contra o senador e se houve ajuda de autoridades dos EUA para sua saída do Brasil.

Na carta, obtida pelo site Politico, os democratas afirmaram que “o povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”.

Os deputados também cobraram transparência diante de um caso que envolve procedimento judicial no Brasil e relações bilaterais. A iniciativa partiu das deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. O Departamento de Estado não respondeu aos questionamentos da imprensa estadunidense sobre o ofício.

NYT atribui organização de voo a funcionário da Casa Branca

O jornal New York Times informou que Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, organizou o jato particular usado por Flávio Bolsonaro após sua passagem pela Argentina. A aeronave teria feito escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos.

Ainda conforme o jornal, o deputado Eduardo Bolsonaro procurou Miller depois que o irmão recebeu a intimação para entregar os documentos de viagem. Uma fonte do governo dos EUA disse ao New York Times que Flávio deve pedir residência permanente, o chamado green card, e que o processo poderia avançar com rapidez.

A Polícia Federal apura como o senador saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de cruzar a fronteira com a Argentina. Investigadores analisam se ele percorreu o trajeto por terra, em avião particular ou por uma combinação dos dois meios.

O inquérito também verifica possível apoio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos da família Bolsonaro. A PF avalia ainda a hipótese de participação de autoridades argentinas no deslocamento, sob o governo de Javier Milei.

Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e também envolve o advogado Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos desde agosto. Como o senador não tem ordem de prisão, a polícia não o classifica como foragido; a apuração sobre sua saída do país trata do possível descumprimento da determinação judicial relativa aos passaportes.

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