
Democratas que assumirão mandatos no Congresso dos Estados Unidos em janeiro prometem investigar suspeitas de conflitos de interesse entre o governo Donald Trump e os negócios da família do presidente no Oriente Médio. As possíveis apurações devem alcançar receitas obtidas com países do Golfo, operações de criptomoedas, projetos imobiliários e doações à futura biblioteca presidencial de Trump.
Declarações financeiras apresentadas por Trump indicaram que seus negócios obtiveram cerca de US$ 2 bilhões em receitas em 2025, valor três vezes superior ao informado no ano anterior. O pesquisador Brian Katulis, do Middle East Institute, afirmou que entidades do Golfo pagaram cerca de US$ 300 milhões aos negócios do presidente naquele ano.
Uma parte relevante desses ganhos veio da venda de participação na World Liberty Financial, empresa de criptomoedas fundada em 2024 pelas famílias Trump e Witkoff. Em janeiro de 2025, uma companhia de investimentos apoiada pelo xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, adquiriu uma grande fatia da empresa.
Meses depois da operação, os EUA autorizaram o acesso dos Emirados a chips avançados de inteligência artificial, apesar de objeções de integrantes da área de segurança nacional. O governo Trump nega relação entre a venda ligada à World Liberty Financial e a liberação dos componentes tecnológicos.
Empreendimentos e avião do Catar entram no radar

Os negócios imobiliários licenciados pela marca Trump na Arábia Saudita, nos Emirados, no Catar e nas Maldivas também podem integrar as investigações. Trump declarou US$ 59,5 milhões em receitas de licenciamento internacional em 2025; a CNBC informou que quase dois terços desse valor vieram de projetos nos países do Golfo.
Entidades da sociedade civil apontam possíveis conflitos de interesse porque empresas do Golfo responsáveis pelos empreendimentos mantêm relações estreitas com governos e famílias reais da região. Esses mesmos países buscavam investimentos nos Estados Unidos, autorizações do governo americano e acordos econômicos e diplomáticos favoráveis.
O jato de luxo avaliado em cerca de US$ 400 milhões que a família real do Catar presenteou a Trump em maio de 2025 provocou questionamentos de políticos e especialistas em ética. Trump indicou que pretendia transferir a aeronave para a Donald J. Trump Presidential Library Foundation ao fim de seu mandato, mas não há confirmação de que isso ocorrerá. A aeronave foi descrita pela imprensa como um “palácio que voa”.
Robert Garcia, principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, afirmou que a “família criminosa Trump está no topo das nossas prioridades de investigação”. Ele também questiona a atuação de Jared Kushner, genro de Trump e enviado voluntário ao Oriente Médio, diante dos investimentos de sua empresa Affinity Partners e de acusações que Kushner nega sobre ganhos pessoais na região.