
A publicação de um vídeo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retratando Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, provocou reação imediata e dura de lideranças do Partido Democrata.
O material foi divulgado na quinta-feira (5) na rede Truth Social e gerou acusações de racismo e discurso de ódio por parte da oposição. O vídeo, com cerca de um minuto, mistura uma teoria conspiratória sobre as eleições presidenciais com imagens editadas.
Nos segundos finais, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos a corpos de macacos, enquanto toca a música “The Lion Sleeps Tonight”. Os Obamas não têm qualquer relação com as acusações apresentadas no conteúdo.
Entre as reações mais contundentes esteve a do gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, nome influente do Partido Democrata e potencial candidato à presidência em 2028. Em publicação na rede X, a equipe dele classificou o episódio como “comportamento repugnante do Presidente” e cobrou uma condenação explícita por parte dos republicanos.
Aliados históricos de Barack Obama também se manifestaram. Ben Rhodes, que atuou como conselheiro de Segurança Nacional durante o governo democrata, afirmou que Trump e seus apoiadores “serão lembrados como uma mancha” na história do país. Para ele, o episódio reforça a carga racista associada à retórica do atual presidente.
Let it haunt Trump and his racist followers that future Americans will embrace the Obamas as beloved figures while studying him as a stain on our history. https://t.co/zDMdFtESJ3
— Ben Rhodes (@brhodes) February 6, 2026
A reação não se limitou aos democratas. O senador republicano Tim Scott, único parlamentar negro do partido no Senado, classificou o vídeo como “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”. A declaração ampliou a pressão política sobre Trump, ao evidenciar desconforto também dentro do campo conservador.
Praying it was fake because it’s the most racist thing I’ve seen out of this White House. The President should remove it. https://t.co/gADoM13ssZ
— Tim Scott (@votetimscott) February 6, 2026
A Casa Branca tentou minimizar a controvérsia. Em nota oficial, a secretária de Imprensa Karoline Leavitt afirmou que se tratava de “um vídeo de meme da internet” e acusou críticos de promoverem “indignação falsa”. Segundo o governo, o material faria referência ao filme O Rei Leão, retratando Trump como o “Rei da Selva”.
Mesmo com a tentativa de contenção, democratas apontaram que o vídeo reforça uma narrativa racializada e perigosa. Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou publicamente Kamala Harris na eleição de 2024, na qual Trump saiu vencedor. Para a oposição, o ataque visual não pode ser dissociado desse contexto político.
Lideranças democratas também destacaram que o episódio se soma a um histórico recente. Em outras ocasiões, Trump já publicou vídeos gerados por inteligência artificial mostrando Obama sendo preso ou ridicularizando parlamentares negros, como o líder democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, que classificou uma dessas imagens como racista.
Trump har postat en video på Truth Social gällande hur han menar att röstfusk gått till mot honom. pic.twitter.com/D9Jfqhkzem
— Existenz.se (@Existenzse) February 6, 2026