Democratas reagem a vídeo racista de Trump sobre o casal Obama: “Repugnante”

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 15:55
Trump usa montagem racista de Michelle e Barack Obama. Foto: reprodução

A publicação de um vídeo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retratando Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, provocou reação imediata e dura de lideranças do Partido Democrata.

O material foi divulgado na quinta-feira (5) na rede Truth Social e gerou acusações de racismo e discurso de ódio por parte da oposição. O vídeo, com cerca de um minuto, mistura uma teoria conspiratória sobre as eleições presidenciais com imagens editadas.

Nos segundos finais, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos a corpos de macacos, enquanto toca a música “The Lion Sleeps Tonight”. Os Obamas não têm qualquer relação com as acusações apresentadas no conteúdo.

Entre as reações mais contundentes esteve a do gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, nome influente do Partido Democrata e potencial candidato à presidência em 2028. Em publicação na rede X, a equipe dele classificou o episódio como “comportamento repugnante do Presidente” e cobrou uma condenação explícita por parte dos republicanos.

Aliados históricos de Barack Obama também se manifestaram. Ben Rhodes, que atuou como conselheiro de Segurança Nacional durante o governo democrata, afirmou que Trump e seus apoiadores “serão lembrados como uma mancha” na história do país. Para ele, o episódio reforça a carga racista associada à retórica do atual presidente.

A reação não se limitou aos democratas. O senador republicano Tim Scott, único parlamentar negro do partido no Senado, classificou o vídeo como “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”. A declaração ampliou a pressão política sobre Trump, ao evidenciar desconforto também dentro do campo conservador.

A Casa Branca tentou minimizar a controvérsia. Em nota oficial, a secretária de Imprensa Karoline Leavitt afirmou que se tratava de “um vídeo de meme da internet” e acusou críticos de promoverem “indignação falsa”. Segundo o governo, o material faria referência ao filme O Rei Leão, retratando Trump como o “Rei da Selva”.

Mesmo com a tentativa de contenção, democratas apontaram que o vídeo reforça uma narrativa racializada e perigosa. Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou publicamente Kamala Harris na eleição de 2024, na qual Trump saiu vencedor. Para a oposição, o ataque visual não pode ser dissociado desse contexto político.

Lideranças democratas também destacaram que o episódio se soma a um histórico recente. Em outras ocasiões, Trump já publicou vídeos gerados por inteligência artificial mostrando Obama sendo preso ou ridicularizando parlamentares negros, como o líder democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, que classificou uma dessas imagens como racista.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.