Como democratas se preparam para contestações de Trump sobre eleições

Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 9:42
Camry Bishop e Jordan Shafer na Little Gay Shop, em Austin
Votação nos EUA. Foto: Mario Tama/AFP

Democratas do Texas montaram uma rede de fiscais de urna e advogados para acompanhar a apuração da próxima terça-feira (3), diante do temor de que o presidente Donald Trump conteste eventuais vitórias da oposição em disputas apertadas. A mobilização ocorre em um estado que não elege um democrata para cargo majoritário desde 1994.

Em Austin, as gerentes Jordan Shafer, de 28 anos, e Camry Bishop, de 29, dizem que a preparação para possíveis batalhas judiciais se tornou parte da campanha. “Por isso é muito importante não só a mobilização nas ruas até a noite de terça-feira, mas treinar fiscais de urna e amealhar advogados para eventuais batalhas judiciais. Com Trump não se deve brincar, ainda mais aqui”, afirmaram.

O estudante Leo Matney, de 18 anos, deu seu primeiro voto ao democrata James Talarico na disputa pelo Senado, embora tenha escolhido republicanos em outros cargos. Ele disse que não espera uma tentativa “muito descarada” de manipulação, mas declarou que sua geração não aceitará uma intervenção silenciosamente.

Caleb Shaw, encanador de 32 anos e morador de Austin, votou antecipadamente em candidatos democratas. Para ele, uma tentativa da Casa Branca de pedir recontagem, não reconhecer uma derrota ou alegar voto de imigrantes sem documentos poderia provocar reação dos eleitores texanos.

Donald Trump conversa com jornalistas
Donald Trump conversa com jornalistas. Foto: Reprodução

Voluntários ocupam os 181 centros de contagem do Texas

O Partido Democrata organizou 45 mil voluntários para buscar eleitores até esta terça-feira e convocou cidadãos para aulas virtuais sobre fiscalização. A estrutura prevê ao menos um voluntário registrado em cada um dos 181 centros de contagem do estado.

A ofensiva ganhou força após o redesenho dos distritos eleitorais do Texas, antecipado em agosto de 2025 a pedido de Trump. A mudança criou cinco cadeiras adicionais com eleitorado majoritariamente conservador, medida que motivou protestos de parlamentares democratas e de parte da população.

Eleitores democratas apontam que a reorganização dos distritos também estimulou independentes, sobretudo moradores de subúrbios com maior escolaridade, a se aproximarem da oposição. A campanha mira votos urbanos de Austin, Houston e Dallas, além de latinos de San Antonio e do Rio Grande Valley e estudantes.

O receio de contestação aumentou após o Departamento de Justiça abrir uma investigação sobre a suposta inclusão de milhares de estrangeiros nas listas eleitorais e intimar funcionários de Los Angeles a depor diante de um grande júri federal. A principal autoridade eleitoral local classificou o pedido por registros sobre métodos de triagem de votos de estrangeiros como “intimidação”.

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