Denunciado por charlatanismo, médico francês citado por Bolsonaro admite ineficácia da cloroquina

Didier Raoult

O médico francês Didier Raoult, arauto da cloroquina, voltou atrás e diz agora o que o mundo já sabe: o medicamento não funciona contra o coronavírus.

Em artigo na Sciece Direct, plataforma com aproximadamente 2500 revistas científicas e mais de 26000 e-books, ele admite que “excluir seis pacientes de nossa análise pode ter enviesado os resultados”.

“A necessidade de oxigenoterapia, transferência para UTI e óbito não diferiu significativamente entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina (HCQ) com ou sem azitromicina (AZ) e nos controles com tratamento padrão apenas”, diz o texto, assinado com outros colegas.

Raoult fez um estrago enorme, sustentando a irresponsabilidade negacionista.

Ele foi denunciado pela Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (SPILF) por promoção indevida do remédio e charlatanismo.

Segundo a organização, violou nove pontos do código de conduta.

Entre eles, além da promoção de um tratamento ineficaz, estão denúncias de que divulgou informações falsas e realizou ensaios clínicos sem estar amparado pela legalidade.

A França está em lockdown para enfrentar a segunda onda.

Bolsonaro citou Didier Raoult num de seus stand ups no cercadinho do gado, numa “conversa” com um suposto turista francês no Palácio da Alvorada.

“Na França e no Brasil, tomando a cloroquina no início dos sintomas é 100% de cura. Eu sei que alguns cientistas franceses investiram na cloroquina lá atrás”, falou.

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