Depois de blefar sobre golpe, Bolsonaro entrou no modo Mandrake. Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicado originalmente no blog do autor

Há um esforço inútil da grande imprensa, mesmo a declaradamente antibolsonarista, para definir a atual situação de Bolsonaro como uma estratégia.

O sujeito teria se aquietado porque tem método. Bolsonaro está na verdade no modo Mandrake. Não há método algum.

Bolsonaro foi paralisado pela sequência de fatos, incluindo declarações e decisões, principalmente vindas do Supremo, que o advertiram para que parasse de blefar com a ameaça de golpe.

Ele e seus seguidores pararam de falar do tal artigo 142 da Constituição e do presumido poder moderador dos militares. Era uma conversa enjoada e repetitiva.

Bolsonaro e seus generais não se calaram de repente. Foram se calando aos poucos, até se afastarem das manifestações golpistas de domingo em Brasília.

As reações ao golpe, inclusive nas ruas, esculhambaram com o programa de Bolsonaro e dos militares que apareciam até de helicóptero para acenar para Sara Winter e os fascistas que atacavam o Supremo.

Por isso Bolsonaro não adota uma estratégia. Não há o que fazer a não ser ficar parado. Bolsonaro é refém do próprio truque.

A última bordoada nas suas ameaças foi dada por O Globo (como recado de toda a organização), que publicou o editorial de 23 de junho com este título: “Um golpe que passa do delírio à farsa”.

Toda a chamada mídia alternativa e os blogueiros de esquerda já haviam denunciado a fraude. Mas a Globo deu a cacetada.

A Globo avisou Bolsonaro: nós estamos sabendo, por nossas fontes nas Forças Armadas, que o teu golpe era um delírio e que agora é uma farsa.

A partir dali Bolsonaro se aquietou. Na sequência, as pesquisas do DataFolha reafirmaram que a população não quer saber de golpe nem de poder militar. E ainda prenderam Queiroz.

Se do delírio à farsa foi um pulo, da farsa para o encolhimento foi um passo. Bolsonaro é hoje um sujeito paralisado à espera de um milagre.

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