Deputada aciona MPT contra Viih Tube por reality e funcionárias defendem influenciadora

Atualizado em 2 de julho de 2026 às 7:48
Viih Tube e o marido Eliezer. Foto: reprodução

A deputada estadual Ediane Maria Nascimento (PSOL-SP) protocolou uma representação no Ministério Público do Trabalho de São Paulo contra Viih Tube e Eliezer por causa do reality show criado pelo casal com seus 11 empregados domésticos. A parlamentar afirma que a competição pode configurar “assédio moral organizacional” e pede investigação, notificação dos influenciadores e suspensão imediata do programa caso sejam confirmadas irregularidades.

No documento, Ediane aponta que os funcionários eram submetidos a provas para disputar prêmios, em uma dinâmica gravada e exibida nas redes sociais do casal. Embora Viih Tube e Eliezer afirmassem que a participação era voluntária, a deputada sustenta que não há fontes públicas que comprovem o consentimento dos envolvidos, “tampouco o registro de eventuais horas extras”.

A representação também questiona a alteração da rotina de trabalho dos empregados, inclusive com promessa de “regalias” como “entrar uma hora mais tarde no expediente”. Para a parlamentar, a redução da jornada não deveria ser tratada como um “prêmio excepcional”. Ela ainda levanta suspeitas sobre a falta de pagamento por horas extras durante as gravações.

Outro ponto citado é o uso comercial da imagem dos trabalhadores em canais monetizados, como o YouTube, sem contrato específico ou compensação financeira adequada. Segundo Ediane, os prêmios, que iam de dinheiro a motocicletas, poderiam mascarar pagamento por trabalho extraordinário e cessão de imagem, burlando direitos trabalhistas e previdenciários.

Respostas à repercussão

Após a repercussão negativa, Viih Tube e Eliezer apagaram o primeiro episódio de “As Patroas”, reality em que os empregados competiam por dinheiro e benefícios. O Ministério Público do Trabalho abriu inquérito para apurar o caso.

“O Ministério Público do Trabalho informa que, a partir das atividades veiculadas nas redes sociais pela influencer, iniciou procedimento para apuração de possíveis condutas trabalhistas que possam ser questionadas”, informou o órgão ao Extra.

Mesmo com a polêmica, funcionárias do casal foram às redes sociais defendê-los. Em vídeo publicado por Ediléia Santana, ao lado de colegas, ela afirmou que ninguém foi obrigado a participar. “Indignada, porque o pobre não pode ter nada, ele não pode ter oportunidade de ter nada, que vem [alguém] dar opinião onde não foi chamado, entendeu?”, disse.

“A gente trabalha feliz aqui, a gente ama o que a gente faz, a gente ama os nossos patrões. Somos bem cuidadas, somos bem tratadas. Agora vocês querem cancelar o nosso reality? Gente, vocês não têm o que fazer?”, questionou Ediléia. Ela também afirmou que todos estavam concorrendo a “prêmios maravilhosos” e que a participação havia sido combinada.

“Vai chamar o Ministério do Trabalho onde tem coisas irregulares, porque aqui é tudo regularizado, certinho. Vão procurar o que fazer. Você que está criticando dá um panetone para o seu funcionário no Natal? Dúvido! Dá uma cesta básica para uma pessoa que está precisando? Dúvido! Vai procurar o que fazer, vai procurar uma lavação de roupa suja!”, completou.

Entenda o reality

O reality previa R$ 20 mil ao vencedor, além do dinheiro acumulado em provas. A premiação total poderia chegar a R$ 60 mil, com prêmios paralelos como uma moto. A ideia era publicar episódios às terças e sábados, mas apenas o primeiro foi exibido.

Logo no início, Eliezer avisou que a escala de trabalho seria alterada nos dias de gravação. “Uma coisa muito importante. Se não vier no dia, está eliminado. Então, nos dias de gravação do reality, todo mundo tem que estar”, disse.

Na primeira prova, os funcionários precisavam encontrar moedas de plástico espalhadas pela casa, inclusive no lixo e no vaso sanitário. “Pelo amor de Deus da misericórdia, dentro do vaso?”, disse o motorista do casal, que também colocou a mão em uma lixeira com papel higiênico sujo. “Estava cheio de bosta. Quem vai limpar?”, afirmou, aos risos.

Nas redes sociais, internautas continuaram criticando o formato. “Que bizarrice e mais bizarro é o povo aqui achando tudo de boa, não vendo problema algum nesse tipo de “entretenimento”. Que tempos sombrios!”, escreveu uma usuária. “Será que ela não consultou um advogado antes de fazer esse “reality”?”, questionou outra.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.