Deputada argentina cobra explicações de Milei sobre fuga de Flávio: “Como autorizaram?”

Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 12:22
Marcela Pagano. Foto: Reprodução

A deputada argentina Marcela Pagano cobrou explicações de autoridades do governo de Javier Milei sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Argentina antes de sua viagem aos Estados Unidos. A parlamentar citou registros migratórios, escolta policial e o uso de veículos diplomáticos como elementos que precisam ser esclarecidos pela Justiça do país.

Em entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, exibida neste domingo (1º), Pagano afirmou que testemunhos e imagens apontam possíveis irregularidades na operação.

“A irregularidade na passagem pelo controle de imigração argentino, a escolta de policiais e, depois, o transporte em carros diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. São esses os elementos que eu apresento pra que a Justiça cobre explicações das autoridades argentinas sobre como puderam autorizar essa operação”, disse.

A Justiça argentina determinou a preservação das imagens de câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR). O secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabian Fernandez, respondeu que o governo não tinha nada a declarar quando questionado sobre eventual colaboração na saída do senador do Brasil.

Documentos do sistema de imigração argentino registraram a entrada de duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. na noite de terça (27). Em uma delas constavam os dados de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, e das duas filhas do casal.

Javier Milei e Flávio Bolsonaro. Foto: Nelson Almeida/AFP

Registros de Flávio e relatos sobre escolta em Puerto Iguazú

O sistema argentino anotou três entradas de Flávio Bolsonaro na mesma van em 34 minutos. A primeira ocorreu às 22h37, com passaporte italiano; três minutos depois, apareceu um registro com a carteira de identidade; e, às 23h11, outro com passaporte brasileiro. As duas anotações com documentos brasileiros foram canceladas, enquanto o registro com o passaporte italiano permaneceu válido.

A outra van cruzou a fronteira cerca de sete minutos antes e levava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial da inteligência de Israel. Alexandre já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal C5N, disse que viu uma comitiva acompanhada por veículos oficiais na chegada ao aeroporto de Puerto Iguazú. “Na frente, vamos dizer assim, da comitiva vinha uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária, que é responsável pelos aeroportos da Argentina”, relatou.

Munafó afirmou ter visto duas caminhonetes brasileiras, com placas e motoristas do Brasil, seguidas de duas caminhonetes argentinas, uma delas com placa diplomática. Pagano sustenta que os veículos diplomáticos seriam ligados ao Ministério das Relações Exteriores argentino e pede que as autoridades esclareçam a participação estatal no deslocamento.

Embora os registros apontem uma entrada terrestre na Argentina, investigadores apuram a hipótese de que Flávio Bolsonaro tenha chegado antes de avião. A linha investigada indica que ele saiu de Brasília às 5h05 de terça, em um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, pousou em San Fernando, na região de Buenos Aires, e seguiu em outro voo privado para Puerto Iguazú.

Funcionários do aeroporto teriam relatado ter visto o senador dentro da aeronave enquanto aguardava a chegada da mulher e das filhas, que teriam viajado de Brasília a Cascavel e seguido de van até a fronteira. A assessoria de Willer Tomaz negou que aeronaves do advogado ou de empresas ligadas à sua família tenham transportado Flávio Bolsonaro ou seus familiares.

Depois do encontro em Puerto Iguazú, a família embarcou rumo a Miami em um Gulfstream G400 operado pela empresa argentina Baires Fly. O empresário Luis Grande, dono da companhia, informou à agência France-Presse que o voo custou US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, e fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de pousar na Flórida na manhã de quarta (28).

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. O advogado Frederick Wassef, que representa o senador, afirmou que não há informações oficiais ou confirmadas sobre a viagem e negou que a saída do país tenha sido uma fuga.

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