Deputada argentina pede investigação sobre fuga de Flávio por Iguazú; TV monitora jato

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 0:37
A deputada argentina Marcela Pagano. Reprodução

A deputada argentina Marcela Pagano anunciou nesta quarta-feira (28) que apresentou uma denúncia criminal à Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar a possível entrada clandestina de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Argentina. A parlamentar suspeita que o senador, proibido judicialmente de deixar o Brasil, tenha atravessado a fronteira e utilizado um avião particular para chegar aos Estados Unidos. Pagano também afirmou que a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) teria impedido a decolagem da aeronave.

A denúncia ocorre enquanto o canal argentino C5N realiza uma transmissão ao vivo sobre a possível decolagem de um avião associado à saída de Flávio do Brasil, a partir do aeroporto de Puerto Iguazú. A movimentação acontece em meio a versões contraditórias sobre a rota utilizada pelo candidato derrotado por Lula (PT) no domingo (25). Até o momento, não há confirmação de que o senador tenha embarcado na aeronave.

“Se entrou, alguém o deixou entrar. Se tentaram tirá-lo por um aeroporto federal, alguém olhou para o outro lado”, afirmou Pagano. A deputada solicitou a preservação das imagens das câmeras da ponte internacional e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato de fretamento. Também pediu a investigação de possíveis crimes de tráfico de pessoas em trânsito e descumprimento dos deveres de funcionários públicos. “A fronteira argentina não é um corredor VIP de ninguém. A soberania não se negocia nem se empresta”, declarou em publicação no X.

O avião que concentra as atenções é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave partiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú por volta das 23h42. Inicialmente, havia a previsão de um voo rumo aos Estados Unidos durante a madrugada de terça-feira (27), mas a decolagem não ocorreu no horário anunciado, segundo registros de monitoramento aéreo.

O governo de Javier Milei negou que Flávio Bolsonaro tenha ingressado na Argentina e afirmou que não havia registro de um plano de voo com integrantes da família do senador. As declarações levantaram suspeitas de que a movimentação da aeronave poderia fazer parte de uma operação de despiste para encobrir a verdadeira rota de saída do Brasil. Apesar da negativa oficial, a C5N informou que Santiago Caputo, estrategista de comunicação e homem de confiança de Milei, estava presente no aeroporto de Puerto Iguazú. A informação levanta novos questionamentos sobre um possível envolvimento da Casa Rosada na operação, embora não comprove a participação do governo argentino na fuga.

Operação de desinformação

Segundo o jornalista Rogério Tomaz Jr., uma operação de desinformação teria sido organizada para desviar a atenção de Puerto Iguazú, cidade argentina localizada na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. O jornal argentino Clarín também relatou suspeitas de uma operação de despiste, mas apresentou uma hipótese diferente: a divulgação antecipada de um voo pelo aeroporto argentino poderia ter servido para afastar a atenção do trajeto efetivamente utilizado por Flávio. Nenhuma das versões foi confirmada de maneira independente.

Enquanto isso, aliados de Flávio afirmaram à CNN Brasil que o senador chegou à Flórida na terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas, e se encontrou com o irmão Eduardo Bolsonaro. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de deixar o Brasil e determinar a entrega de seus passaportes, posteriormente cancelados pela Polícia Federal.

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