
A deputada argentina Marcela Pagano anunciou nesta quarta-feira (28) que apresentou uma denúncia criminal à Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar a possível entrada clandestina de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Argentina. A parlamentar suspeita que o senador, proibido judicialmente de deixar o Brasil, tenha atravessado a fronteira e utilizado um avião particular para chegar aos Estados Unidos. Pagano também afirmou que a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) teria impedido a decolagem da aeronave.
A denúncia ocorre enquanto o canal argentino C5N realiza uma transmissão ao vivo sobre a possível decolagem de um avião associado à saída de Flávio do Brasil, a partir do aeroporto de Puerto Iguazú. A movimentação acontece em meio a versões contraditórias sobre a rota utilizada pelo candidato derrotado por Lula (PT) no domingo (25). Até o momento, não há confirmação de que o senador tenha embarcado na aeronave.
“Se entrou, alguém o deixou entrar. Se tentaram tirá-lo por um aeroporto federal, alguém olhou para o outro lado”, afirmou Pagano. A deputada solicitou a preservação das imagens das câmeras da ponte internacional e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato de fretamento. Também pediu a investigação de possíveis crimes de tráfico de pessoas em trânsito e descumprimento dos deveres de funcionários públicos. “A fronteira argentina não é um corredor VIP de ninguém. A soberania não se negocia nem se empresta”, declarou em publicação no X.
Presenté denuncia penal en la Justicia Federal de Puerto Iguazú. Flávio Bolsonaro tiene prohibido salir de Brasil por orden judicial. Los medios ubican su ingreso clandestino por Iguazú, un jet de matrícula argentina esperándolo para volar a EE.UU. y a la ANAC frenando ese despegue. Mientras tanto, el Gobierno dice que “nunca ingresó”.
Si entró, alguien lo dejó entrar. Si lo quisieron sacar por un aeropuerto federal, alguien miró para otro lado.
Pedí preservar las cámaras del puente y del aeropuerto, los planes de vuelo, la lista de pasajeros y el contrato del chárter, e investigar por tráfico de personas en tránsito e incumplimiento de los deberes de funcionario público. La frontera argentina no es un pasillo VIP de nadie. La soberanía no se negocia ni se presta.
Fiel al compromiso de seguir dando testimonio en tiempos difíciles.— Marcela Pagano (@Marcelampagano) October 28, 2026
O avião que concentra as atenções é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave partiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú por volta das 23h42. Inicialmente, havia a previsão de um voo rumo aos Estados Unidos durante a madrugada de terça-feira (27), mas a decolagem não ocorreu no horário anunciado, segundo registros de monitoramento aéreo.
O governo de Javier Milei negou que Flávio Bolsonaro tenha ingressado na Argentina e afirmou que não havia registro de um plano de voo com integrantes da família do senador. As declarações levantaram suspeitas de que a movimentação da aeronave poderia fazer parte de uma operação de despiste para encobrir a verdadeira rota de saída do Brasil. Apesar da negativa oficial, a C5N informou que Santiago Caputo, estrategista de comunicação e homem de confiança de Milei, estava presente no aeroporto de Puerto Iguazú. A informação levanta novos questionamentos sobre um possível envolvimento da Casa Rosada na operação, embora não comprove a participação do governo argentino na fuga.
Operação de desinformação
Segundo o jornalista Rogério Tomaz Jr., uma operação de desinformação teria sido organizada para desviar a atenção de Puerto Iguazú, cidade argentina localizada na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. O jornal argentino Clarín também relatou suspeitas de uma operação de despiste, mas apresentou uma hipótese diferente: a divulgação antecipada de um voo pelo aeroporto argentino poderia ter servido para afastar a atenção do trajeto efetivamente utilizado por Flávio. Nenhuma das versões foi confirmada de maneira independente.
Enquanto isso, aliados de Flávio afirmaram à CNN Brasil que o senador chegou à Flórida na terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas, e se encontrou com o irmão Eduardo Bolsonaro. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de deixar o Brasil e determinar a entrega de seus passaportes, posteriormente cancelados pela Polícia Federal.