Deputada britânica diz a brasileira que lutará contra política de destruição ambiental e ódio de Bolsonaro

Carolina Lucas

Em resposta à carta de uma brasileira que mora na Inglaterra, a deputada Caroline Lucas, líder do Partido Verde no Parlamento Britânico, disse que ficou “alarmada” com a eleição de Jair Bolsonaro e que apoia os brasileiros que rejeitam “a politica de destruição ambiental e ódio” do atual presidente.

A deputada, que já está em seu terceiro mandato e também foi representante do Reino Unido no Parlamento Europeu, poderia ignorar a correspondência, já que, como é natural, ela deve receber centenas ou talvez milhares de contatos, sobretudo neste momento em que se debate a saída da Inglaterra da União Européia, à qual ela se opõe.

Em vez disso, Caroline deu uma longa resposta à brasileira e disse que tem participado de um movimento que existe no Parlamento Britânico para se contrapor ao retrocesso representado por Bolsonaro.

“Com colegas de diferentes partidos, assinei a Erlay Day Motion, assinalando as posições inaceitáveis de Bolsonaro em relação a minorias e grupos vulneráveis e expressando apoio aos brasileiros, democracia, direitos humanos e progresso social”, disse.

Erlau Day Motion é uma iniciativa parlamentar que representa a abertura de debate sobre determinado tema.

A brasileira que escreveu a carta é Marilda Jardim, que nasceu em Cascavel, no Paraná, estudou na Universidade Federal daquele estado e mora em Brighton, Inglaterra, desde do 2003. Tem cidadania portuguesa além da brasileira, e hoje dá aula de português para estrangeiro na Inglaterra.

Em sua carta, Marilda pediu apoio para barrar as medidas de Bolsonaro que favorecem o desmatamento.

A iniciativa de Marilda é uma entre outras de brasileiros que buscam apoio no exterior para tentar conter Bolsonaro. Muitas delas são comunicadas ao DCM.

“Tenho me dedicado a contar aos amigos do meu marido, que é inglês, o que está acontecendo no Brasil. Para minha surpresa, muitos deles já sabem e lamentam muito”, disse outra brasileira, que também mora na Inglaterra.

Ela conta que, nas viagens que faz, era sempre recebida com muita simpatia quando apresentava o passaporte brasileiro. “Os fiscais de imigração conversavam comigo, elogiando o Brasil. Isso mudou. Não somos mais bem vistos”, conta.

Entre outras dificuldades que o governo Bolsonaro proporciona, esta é a que machuca mais quem se mudou do Brasil, mas nunca perdeu a ligação com o país, a Nação que tem um hino em que se apresenta como “mãe gentil”:

A tristeza de não ser mais bem visto.

 

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