Deputada indígena bolsonarista acusa PL de racismo no Amapá: “A única a ser barrada”

Atualizado em 20 de julho de 2026 às 22:35
Silvia Waiãpi
Silvia Waiãpi na Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

A ex-deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP), bolsonarista e aliada de Jair Bolsonaro, acusou o PL do Amapá e Dr. Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do estado, de racismo depois de ficar fora da nominata à Câmara dos Deputados. A exclusão ocorreu na convenção que oficializou, nesta segunda-feira (20), a coligação entre PSD, PL, Novo e Podemos. Com informações de Metrópoles.

Waiãpi afirmou ao Metrópoles que o diretório local escolheu beneficiar a aliança com Furlan e disse que ele “nem brasileiro é”, em referência ao fato de o ex-prefeito de Macapá ter nascido na Costa Rica. A ex-deputada sustenta que a decisão atingiu apenas ela, uma mulher indígena, dentro da composição eleitoral.

O Partido Liberal afirma que barrou a candidatura por causa da situação eleitoral da ex-parlamentar na Justiça. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, disse que a decisão do diretório está correta e que “a decisão é do TSE e a lei é clara”.

Em abril, o Tribunal Superior Eleitoral manteve a condenação do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá que tornou Waiãpi inelegível por uso irregular de recursos públicos de campanha nas eleições de 2022. Ela é acusada de usar R$ 9 mil da verba eleitoral para fazer uma harmonização facial.

Dr. Furlan, pré-candidato do PSD ao governo do Amapá. Foto: Rogério Lameira/Prefeitura de Macapá

Condenação eleitoral e disputa pela nominata

A ex-deputada contestou o veto e disse que o partido tem outros pré-candidatos com condenações. “Não nego que tem um processo que está em primeira instância e em fase de recurso. Se a gente fosse cercear qualquer candidato sem trânsito em julgado, seria antecipar uma condenação. Por exemplo, um dos candidatos é o Vinicius Gurgel, que tem vários processos, a única a ser barrada fui eu, uma mulher indígena”, afirmou.

Valdemar Costa Neto enviou uma análise da assessoria jurídica do PL sobre a situação de Waiãpi. O parecer sustenta que a condenação implica oito anos de inelegibilidade a partir da eleição de 2022, conforme a Lei da Ficha Limpa: “Portanto, em razão do julgado proferido pelo colegiado do TRE/AP e a manutenção do acórdão perante o colegiado do TSE, tem-se que a pretensa candidata encontra-se inelegível pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição de 2022”.

Waiãpi disse que entregou a documentação necessária ao diretório em 17 de julho e que só soube, durante a convenção, que seu nome não entraria na nominata. No local, gravou vídeos com Dr. Furlan, acusou o pré-candidato de interferir na escolha dos nomes da coligação e o chamou de “traidor”.

A ex-deputada também afirmou que o diretório do PL se recusou a entregar uma cópia da ata da convenção e que a negativa deveria ter chegado antes do prazo para troca de partido. Dr. Furlan e o presidente do PL no Amapá, Alex Pereira, não responderam aos pedidos de manifestação do Metrópoles até a publicação.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior