Deputado bolsonarista vira alvo da PF por uso de emenda Pix em show milionário

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 10:04
O deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O deputado federal bolsonarista Eduardo Velloso (União-AC) é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de desvio de recursos públicos ligados à contratação de uma empresa responsável por apresentações musicais bancadas com verba federal no município de Sena Madureira (AC).

A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores cumprem 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal. Em Brasília, a PF realiza buscas no apartamento funcional do parlamentar, apontado como principal alvo da investigação.

Contratos sob suspeita e uso de emendas parlamentares

Segundo as apurações, os contratos investigados foram firmados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira em setembro de 2024. Os valores envolvidos teriam origem em emendas parlamentares, com prejuízo estimado em R$ 912 mil aos cofres públicos.

A investigação se concentra em repasses feitos por meio da chamada “emenda Pix”, mecanismo que permite a transferência direta de recursos da União para estados e municípios, sem a exigência de convênios formais ou de prestação de contas prévia no momento do envio do dinheiro.

Em 2022, Eduardo Veloso aparece em um vídeo ao lado do senador Márcio Bittar (União-AC) e de Jair Bolsonaro (PL) pedindo apoio dos acreanos ao ex-presidente, que na ocasião disputava o segundo turno com o então candidato Lula (PT) e acabou derrotado.

Apuração de crimes e objetivos da operação

Os investigadores apuram indícios de fraude em licitação, associação criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes. A PF e a CGU analisam se os contratos foram direcionados e se houve sobrepreço ou serviços que não foram executados.

Os mandados de busca têm como objetivo recolher documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam esclarecer a destinação dos recursos públicos e a eventual participação de agentes públicos e privados no esquema investigado.

Batizada de Graco, a operação integra um conjunto de ações voltadas ao rastreamento do uso de emendas parlamentares e à responsabilização de envolvidos em possíveis irregularidades na aplicação de verbas federais.