
O deputado federal Yury do Paredão (MDB-CE) solicitou R$ 1,2 milhão pela Comissão de Turismo da Câmara para financiar a Expocrato 2026, evento que ele ajuda a organizar e que tem na programação o cantor Jonas Esticado, de quem é empresário e sócio.
Dias depois, o parlamentar mudou a indicação e direcionou o valor para outra festa no Crato (CE). Documentos da Comissão de Turismo apontam que Yury pediu, em 22 de junho, o envio de R$ 1,2 milhão à Prefeitura de Crato para a Expocrato 2026.
Três dias depois, apresentou nova indicação, elevou o valor em R$ 39 mil e manteve a finalidade ligada ao evento. No fim do mês, o deputado registrou outra sugestão e retirou a Expocrato do destino da verba. A nova indicação passou a contemplar o Réveillon 2026 do Crato, com R$ 1,239 milhão.
A Comissão de Turismo aprovou apenas a última sugestão, em 1º de julho; as duas indicações voltadas à Expocrato não entraram em deliberação. Nessa modalidade de emenda ao Orçamento da União, o parlamentar patrocina uma sugestão de gasto, e o colegiado decide se aprova ou não o destino dos recursos.

As emendas patrocinadas por Yury do Paredão na Comissão de Turismo também entraram na mira do Tribunal de Contas da União. O Ministério Público pediu investigação após a divulgação de que uma empresa ligada ao deputado recebeu valores apadrinhados pelo próprio parlamentar.
Jonas Esticado está entre os artistas previstos para se apresentar na Expocrato. A 82ª edição do evento ocorrerá entre 11 e 19 de julho no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, no Crato. Em 2025, shows de Jonas Esticado pagos com recursos apadrinhados por Yury pela Comissão de Turismo somam R$ 1,5 milhão.
Cada apresentação teve cachê de R$ 300 mil, com contratação por meio da empresa Jonas Esticado Gravações & Edições Musicais LTDA. A firma tem como sócios o cantor e Yury do Paredão, além de ser administrada pela mãe do deputado.
Em nota, o gabinete do parlamentar afirmou que a única indicação relacionada ao Crato aprovada pela comissão foi a do Réveillon 2026 e disse que as indicações nº 23542 e nº 23608 “decorreram de equívoco material no processo de cadastramento pela assessoria parlamentar”; a equipe também declarou que elas “não foram submetidas à deliberação da Comissão de Turismo, não tendo sido, portanto, apreciadas, aprovadas nem produzido qualquer efeito orçamentário ou administrativo”.