Deputado que comparou desembarque de médicos cubanos na Itália a navio negreiro diz que não é racista. Por Joaquim de Carvalho

José Medeiros e outro ignorante; médicos cubanos na Itália

O deputado federal José Medeiros viu o vídeo dos cubanos aplaudidos na chegada à Itália e parece que ficou incomodado. Postou:

“Faz lembrar a chegada dos navios negreiros.”

Certamente, achou que estava lacrando, mas não é preciso ter muitos neurônios para ver na manifestação de Medeiros um viés racista.

Os médicos cubanos que aparecem no vídeo são negros.

Medeiros poderia interpretar a imagem por outros aspectos.

Por exemplo: a excelência do trabalho dos médicos cubanos, comprovada por usuários do SUS no Brasil antes que Bolsonaro, com seu discurso hostil, os expulsasse do país.

Poderia se inspirar no que disse Barack Obama sobre a ação dos médicos cubanos no combate à epidemia do ebola na África.

Em 2016, quando era presidente dos EUA, Obama elogiou “o serviço que milhares de médicos cubanos prestam aos pobres” pelo mundo.

E recordou que, um ano antes, cadetes e soldados americanos “trabalharam lado a lado com os cubanos para salvar vidas e acabar com o ebola na África Ocidental”.

Obama propôs uma parceria permanente. “Creio que deveríamos continuar com esse tipo de cooperação em outros países”, afirmou.

Quando Donald Trump assumiu, abortou os esforços de cooperação, mesmo sabendo que boas faculdades de medicina de seu país mandam estudantes para estagiar na ilha, para aprimoramento na disciplina de saúde pública.

Bolsonaro fez no Brasil algo pior: inviabilizou a permanência de mais de dez mil médicos cubanos.

Na Bolívia, assim que assumiu, a ditadora Jeanine Áñez também expulsou os médicos cubanos.

É da cartilha da extrema direita.

Flagrado no comentário de viés racista, Medeiros alegou que se referia ao fato dos médicos ficarem com parte dos recursos que Cuba recebe pelo convênio com o país contratante — no caso do Brasil, o convênio foi com a Organização Pan-americana de Saúde, a Opas.

Segundo ele, os médicos só ficariam dinheiro suficiente para comer. Medeiros atacou quem disse que ele é racista.

Certamente, ele não ignora que quase todos os cubanos que estavam no Brasil voltaram a seu país depois que o convênio com o Brasil foi rescindido.

Os que ficaram tiveram autorização do governo do seu país. Isso não é escravidão.

Medeiros, que era policial rodoviário antes de virar político, é só mais um ignorante que ascendeu na era bolsonarista.

Evangélico, ele chegou a ser cassado por fraude na candidatura a suplente de senador, nas eleições de 2010, na chapa de Pedro Taques.

Ocupava o Senado na vaga do titular, que se elegeu governador do Mato Grosso em 2014.

Só não perdeu o mandato herdado graças a uma liminar do TSE. Disputou as eleições para deputado federal e se elegeu.

Era do PPS e foi para o Podemos, o partido que articula a candidatura de Sergio Moro a presidente.

É, sobretudo, um político cego pelo ódio e, atacando o sistema médico de Cuba, que inclui a cooperação internacional, demonstra profunda ignorância, uma marca da classe politica que ascendeu com Bolsonaro.

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Veja o vídeo:

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