
O deputado republicano Tony Gonzales, que disputa a reeleição pelo Texas, é acusado de ter mantido um relacionamento extraconjugal com sua diretora distrital, Regina Ann “Regi” Santos-Aviles. A informação foi publicada pelo jornal San Antonio Express-News, com base em mensagens de texto enviadas por ela.
Segundo a reportagem, Santos-Aviles entrou em profunda depressão depois que o marido descobriu o caso. Em seguida, Gonzales teria encerrado a relação. Mãe de um menino de 8 anos, ela morreu em setembro do ano passado, após atear fogo ao próprio corpo no jardim de sua casa, em Uvalde.
Um ex-funcionário do gabinete do deputado, que trabalhava diretamente com Santos-Aviles, compartilhou mensagens vistas pelo jornal. Em uma delas, ela escreveu: “Tive um caso com nosso chefe e estou bem. Você vai ficar bem.”
O ex-assessor afirmou que alertou Gonzales sobre o estado mental de Santos-Aviles nos meses anteriores à morte, mas que o parlamentar não tomou providências. Ele deixou o gabinete posteriormente, alegando que não conseguia mais defender “a mensagem e os ideais” do deputado.
Rumores sobre o relacionamento — Gonzales é casado e pai de seis filhos — circulavam havia algum tempo e, segundo a reportagem, eram conhecidos por integrantes da equipe durante o ciclo eleitoral de 2024.
Em janeiro, um porta-voz do deputado declarou ao tabloide britânico Daily Mail que os responsáveis por divulgar as acusações seriam “oportunistas políticos” tentando distorcer as circunstâncias da morte trágica da assessora.

Bobby Barrera, advogado do marido de Santos-Aviles, Adrian Aviles, afirmou ao Express-News que o caso “não era segredo entre os funcionários”. “Era de conhecimento geral. A equipe sabia claramente que isso estava acontecendo”, disse. Questionado se o relacionamento teria ligação com o suicídio, respondeu: “Acho que não.”
O ex-assessor também declarou que, após Santos-Aviles enviar mensagens sobre o caso a colegas em maio de 2024, ela teria passado a ser isolada no trabalho. Deixou de acompanhar Gonzales em visitas a Uvalde e reuniões organizadas por ela foram canceladas. “Ela falava sobre Tony todos os dias. Passou de principal funcionária do escritório a ninguém”, afirmou.
Ele acrescentou que Santos-Aviles começou a tomar antidepressivos no verão de 2025, poucas semanas antes de morrer. Também relatou que a polícia foi chamada à residência dela em agosto daquele ano, cerca de um mês antes da morte, após uma suposta tentativa de suicídio.
Diante das revelações, o conselho editorial do San Antonio Express-News anunciou a retirada de seu apoio a Gonzales nas primárias republicanas pelo distrito.
Em editorial, o jornal classificou o caso como alarmante. “O relacionamento é preocupante por diversas razões. Primeiro, trata-se de um ato de engano. Gonzales é casado e tem seis filhos. Segundo, envolveu uma funcionária subordinada — não era uma relação entre iguais. Terceiro, embora o advogado do marido de Santos-Aviles afirme não acreditar que o caso tenha contribuído para o suicídio por autoimolação, o episódio paira sobre a tragédia. Vemos uma perturbadora falta de caráter por parte de um agente público eleito”.