Milei é acusado de facilitar fuga de Flávio Bolsonaro e cobrado por deputados na Argentina

Atualizado em 29 de outubro de 2026 às 7:49
Javier Milei e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Deputados de diferentes blocos políticos da Argentina divulgaram nesta quarta-feira (28) uma declaração que cobra explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, a caminho dos Estados Unidos.

O documento também pede que Milei reconheça formalmente a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retome o diálogo com o Brasil. Os parlamentares defendem o restabelecimento dos laços diplomáticos entre os dois países “no mais alto nível”.

Na declaração, os deputados acusam o governo argentino de ter facilitado a viagem de Flávio, derrotado na eleição presidencial de domingo (25). O senador deixou o Brasil na terça-feira (27) e seguiu para os Estados Unidos após passar pela Argentina e pelo Equador.

Os parlamentares solicitaram respostas urgentes aos pedidos de esclarecimento apresentados no Congresso e querem ouvir três integrantes do Executivo na Câmara dos Deputados: o chefe de gabinete, Diego Santilli; a ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva; e o chanceler Pablo Quirno.

Senador Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro desembarcando nos EUA. Foto: Reprodução

Entrada de Flávio Bolsonaro foi confirmada pela imigração argentina

Inicialmente, autoridades argentinas negaram haver registro da entrada de Flávio no país. Na terça-feira, porém, a Direção Nacional de Migrações confirmou que ele atravessou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, e Puerto Iguazú, na província de Misiones.

Flávio viajou acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. A imigração argentina informou que os quatro apresentaram documentos válidos, não tinham impedimentos legais para entrar no país e passaram pela fiscalização sem incidentes.

Os deputados afirmam que a relação com o Brasil tem importância estratégica para a Argentina e citam a história compartilhada pelos dois países. A cobrança ocorre após o governo Milei evitar uma manifestação oficial sobre o resultado da eleição brasileira.

Na segunda-feira (26), o porta-voz presidencial Adrián Ravier disse ao jornal “Clarín” que o governo argentino havia tomado conhecimento do resultado, mas não divulgaria comunicado oficial, nem mesmo pelo Ministério das Relações Exteriores. Milei foi o único presidente sul-americano a não reconhecer o resultado do pleito, enquanto os demais líderes da região cumprimentaram Lula e manifestaram interesse em cooperar com o Brasil.

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