Deputados e senadores reagem a pronunciamento de Bolsonaro na TV: “fingiu recuo”

 

Bolsonaro

Foi imediata a reação de parlamentares ao pronunciamento de Jair Bolsonaro (sem partido) na noite desta terça-feira (31). Visivelmente isolado politicamente após uma série de declarações controversas sobre a disseminação do coronavírus, sendo alvo de frequentes panelaços pelo país, o presidente usou o espaço em cadeia nacional desta noite para distorcer a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), na tentativa de justificar seu discurso em favor do isolamento vertical. No entanto, não convenceu.

“Além de distorcer fala do diretor da OMS, Bolsonaro fingiu um recuo. Mas continua sendo um cínico que, por conveniência e sob pressão, falou uma coisa hoje na TV, mas todos os dias faz o contrário. Não protege a Nação, todos os dias a agride com suas irresponsabilidades e, assim, a todos os brasileiros. Assume que não és capaz do cargo, pede pra sair, ajude o Brasil pelo menos uma vez”, declarou o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).

Líder da Minoria, o deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou que Bolsonaro está “brincando com a população brasileira”. “Foi, novamente, à televisão mentir. Levou o ministro da Economia para dizer que não há recurso ou não sabe de onde vai tirar o recurso para pagar o auxílio emergencial, de R$ 600 por pessoa. E a população fica se perguntando o que fazer frente a isso, frente à tamanha irresponsabilidade deste governo”, declarou. Para ele, o governo não tem mais quaisquer condições de conduzir a gestão da crise que abala o país e fazendo referência ao seguro emergencial aprovado ontem no Senado Federal.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Enio Verri (PR), apontou as contradições no discurso do presidente, hoje acusado de recuar frente à pandemia, após chamá-la de “resfriadinho”. “Bolsonaro disse que sua preocupação sempre foi a de salvar vidas. Porém, desde o início da pandemia, ele se comporta de forma oposta, dizendo que não passa de uma gripezinha, circulando impunemente pelas ruas do DF e convocando milhões de brasileiros a se expor ao coronavírus”, acusou.

Deputados do PSOL fizeram questão de ressaltar o maior panelaço já registrado no país desde os primeiros casos da Covid-19. “Foi o maior panelaço deste ano. Janelas, terraços, varandas e quintais barulhentos por todo o país abafavam as mentiras de Bolsonaro na TV. O presidente é cada vez mais odiado pelo povo”, apontou a deputada paulista, Sâmia Bonfim (SP).

Já o líder do PSB, Alessandro Molon (RJ), lamentou que o Brasil tivesse que chegar à marca dos 200 mortos – nesta terça, o Ministério da Saúde declarou 201 mortos pelo vírus – para que a consciência do impacto da doença fosse realmente mensurado. “Foi preciso que o Brasil atingisse a triste marca de 200 mortes para que Bolsonaro finalmente reconhecesse que o novo coronavirus ‘é uma realidade’(!). Enquanto isso, há pessoas passando fome. Quantos mais precisarão morrer para que ele socorra os que se sacrificam em casa?”, questionou o parlamentar, anexando a hashtag #PagaLogoBolsonaro, na tentativa de pressioná-lo a sancionar o projeto aprovado em tempo recorde pelo Congresso.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da minoria no Senado, usou suas redes para manifestar toda a sua contrariedade ao Governo. “Bolsonaro não apresentou nenhuma ação para combater a crise! Mentiu sobre as orientações da OMS e sobre as intenções do governo de dar R$ 600 aos trabalhadores. Ele queria dar R$ 200! E repito: Sequer sancionou até agora!”, disse. “O povo não quer ligar a TV e assistir o presidente mentindo, não apresentando soluções para a crise. O povo precisa de testes, os profissionais de saúde precisam de EPIs [equipamentos de proteção individual], os trabalhadores precisam do Renda Básica!”, bradou.

Fazendo menção às recentes censuras impostas pelo Twitter, Facebook e Instagram, Pompeo de Mattos, deputado eleito pelo PDT-RS, apontou que Jair Bolsonaro voltou a declarar inverdades em rede nacional. “Bolsonaro está provocando o presidente da OMS. Mente, distorce e omite o que ele diz em suas manifestações. Assim como o Twitter e o Instagram cortaram suas postagens, já já vai tomar um ‘cala-te boca’ da OMS. Vai pagar mico”, avalia.

Pronunciamento

Durante o pronunciamento desta noite, o presidente admitiu que o coronavírus ‘é uma realidade’. Jair Bolsonaro não defendeu o isolamento parcial (apenas de pessoas no grupo de risco), como vinha fazendo em seus últimos discursos, mas seguiu falando sobre a preocupação com a economia. Analistas considera o pronunciamento mais ponderado desde o último, no dia 24 de março, que levantou críticas até mesmo de aliados.

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