“Desafio patriótico é salvar a vida de nossos concidadãos”, dizem empresários europeus. Enquanto isso, no Brasil…

Bandeira da França. Foto: Wikimedia Commons

Se no Brasil empresários como o dono do restaurante Madero dizem que “o país não pode parar por 5 ou 7 mil que vão morrer” por causa do coronavírus, a Europa resolveu não esperar que isso acontecesse e se confinou.

Em diversos países, inclusive a classe patronal apoiou. A maior resistência do setor é na Itália, país que registra o maior número de mortos.

Na Espanha, em quarentena e estado de emergência, a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais propôs, em comunicado no dia 12 de março após reunião com sindicatos, a “proteção de trabalhadores fixos descontínuos, atender ao fechamento de escolas, centros de convivência e as restrições de deslocamentos; facilitar o trabalho a distância”.

O país registrou até o momento mais de 2.600 mortos pela pandemia.

Quase três semanas antes do decreto francês de quarentena nacional, o MEDEF (Movimento das Empresas da França) publicou documento apontando, face às perdas econômicas imediatas para as empresas francesas, a necessidade de ter atenção “à adaptação do trabalho em empresas e à consideração da dimensão humana desta crise”.

No último dia 16, quando começou a vigorar a quarentena, a organização afirmou que o “meio mais eficaz de lutar contra a difusão do coronavírus era de fato limitar os contatos físicos”, reforçando o decreto do governo que obriga o trabalho a distância quando possível. Na França, mais de 1.100 pessoas morreram infectadas pelo coronavírus.

A União Patronal Suíça expressou “plena confiança no Conselho federal na luta contra o coronavírus”. O Conselho determinou o fechamento de todos os restaurantes, lojas, bares e estabelecimentos de lazer até o dia 19 de abril, e proibiu aglomerações de mais de cinco pessoas. A Suíça se aproxima da faixa de 90 mortes desde o início da pandemia.

A Confederação Empresarial de Portugal convocou “a todos para o desafio patriótico de salvar a vida dos nossos concidadãos e o futuro do País”. Em comunicado publicado no dia 16 de março, a organização patronal diz que a situação é “verdadeiramente excecional, avassaladora, disruptiva, para a qual ninguém estava preparado” e afirma que “só a união de todos, em torno de um bem maior, nos permitirá sair da maior crise das nossas vidas com um sentido de futuro coletivo”.

No comunicado, a CEP exige das empresas e trabalhadores “capacidade de adaptação e de sacrifício nos próximos tempos, capaz de salvar a economia, as empresas e os postos de trabalho” a fim de evitar “uma devastação total”. Em confinamento nacional e estado de emergência, Portugal teve pelo menos 33 mortes provocadas pelo coronavírus.

No início de março, Marco Bonometti, presidente da liga de empresários da Lombardia, região mais afetada da Itália pelo coronavírus, criticou duramente a medida de quarentena imposta na região, ainda antes de ela ser ampliada para todo o país.

Em entrevista ao jornal francês Les Echos, ele disse que reagia negativamente à quarentena regional, “porque essa decisão vai trazer confusão e complicar ainda mais a situação. As fábricas não podem fechar porque isso significaria que nossa sociedade capitularia diante do coronavírus. Nosso sistema industrial produz riqueza, recursos econômicos, trabalho. O problema é antes de tudo sanitário”.

Perguntado qual era a prioridade, respondeu que era conter a difusão do vírus, “mas isso não acontecerá fechando fábricas ou shoppings”. Para ele, a solução passaria por dar mais meios ao sistema de saúde: “as clínicas privadas se uniram aos hospitais públicos para salvar vidas humanas além de toda probabilidade”. Epicentro do coronavírus na Itália, a Lombardia totaliza mais de 500 mortes até o momento.

O governo italiano decidiu fechar inclusive as fábricas não essenciais para salvar vidas. Mais de seis mil pessoas no país já foram mortas pelo coronavírus.

Mesmo Bonometti não minimiza a gravidade do que Roberto Justus chama de “histeria”, “gripezinha” ou “12 mil mortes para 7 bi é pouco”. Se como sugeriram empresários como Alexandre Guerra e Luciano Hang, o problema maior do coronavírus é o “custo” financeiro, a aceitação geral na Europa é de que a vida é mais importante.

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