
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou na segunda-feira que pretende dividir seu Prêmio Nobel da Paz com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e agradecê-lo pessoalmente após a intervenção militar de seu governo na Venezuela.
Em entrevista à Fox News, Machado elogiou Trump pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no sábado e classificou a ação de Washington como “um enorme passo para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana”.
Segundo Machado, ela não fala com o presidente dos EUA desde 10 de outubro, data em que foi anunciada como co-vencedora do Prêmio Nobel da Paz. A premiação foi concedida à dirigente opositora, de 58 anos, após ela liderar o mais forte desafio pacífico ao governo Maduro em muitos anos. Na ocasião, Machado dedicou parte do prêmio a Trump, que há tempos demonstrava interesse na honraria, e disse que ele merecia o reconhecimento.
Na entrevista exibida na segunda-feira, Machado afirmou que pretende dividir o prêmio com Trump. “Eu certamente gostaria muito de poder dizer a ele pessoalmente que nós acreditamos, o povo venezuelano — porque este é um prêmio do povo venezuelano — que queremos dá-lo a ele e compartilhá-lo com ele”, declarou ao apresentador Sean Hannity.
Corina Machado después de ser descartada:
“Me encantaría poder hablar personalmente con Donald Trump. Quiero darle mi Nobel de la Paz. Quiero compartirlo con él. Aún no pude verlo”ETAPAS DEL DUELO: NEGACIÓN pic.twitter.com/mnsfDsM31H
— Arrepentidos de Milei (@ArrepentidosLLA) January 6, 2026
Embora Trump tenha ligado para Machado em outubro para parabenizá-la pelo Nobel, a imprensa norte-americana informou que ele ficou irritado pelo fato de ela ter aceitado o prêmio, em vez de recusá-lo e transferi-lo a ele.
A entrevista ocorreu poucos dias depois de Trump descartar a possibilidade de trabalhar com Machado. “Acho que seria muito difícil para ela ser líder”, disse Trump sobre a opositora. “Ela não tem o apoio nem o respeito do país. É uma mulher muito simpática, mas não tem respeito.”
Delcy Rodríguez — ex-vice-presidente e ex-ministra do Petróleo da Venezuela, que prometeu cooperar com o governo Trump — tomou posse como presidente interina na segunda-feira, enquanto Maduro comparecia a um tribunal em Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas.
Machado afirmou ainda que pretende retornar à Venezuela “o mais rápido possível”. Ela apareceu brevemente em público em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo. Estava escondida desde 9 de janeiro, quando foi detida por curto período após participar de um protesto contra o governo em Caracas.