Descontrolado, chorando, Bolsonaro tem uma alternativa romana ao impeachment: o suicídio. Por Kiko Nogueira

Bolsonaro segundo as lentes do grande Orlando Brito

Bolsonaro está isolado dentro e fora do Brasil. Não tem apoio do Congresso, do STF, da sociedade.

Maior negacionista mundial do coronavírus, mentiu sobre o diretor da OMS, expulsou a imprensa da coletiva, é tratado como uma criança com deficiência mental por apresentadores de TV amigos como Datena e Sikêra Junior.

A Folha de S.Paulo relata que ele tem chorado diante de interlocutores diversos, desamparado, e que agora procura apoio dos militares.

Estes se bandearam para o lado de Mourão, que não defeca na reputação da caserna.

Caso estivéssemos na Roma antiga, Bolsonaro poderia ser induzido a um suicídio.

Essa era a alternativa mais comum quando um notável se encontrava em apuros insolúveis.

O método mais popular era praticado dentro de casa. O sujeito entrava numa banheira quente e abria os pulsos verticalmente, deixando que o sangue esvaísse e a natureza seguisse seu curso.

(Essa foi a saída escolhida pelo mafioso delator Pentangeli no “Poderoso Chefão”, aliás).

A maioria dos políticos preferia isso à condenação oficial e posterior execução.

Segundo o historiador Tácito, os últimos anos de Tibério foram pródigos nesse tipo de ocorrência.

“Por medo do carrasco preferiam morrer assim, e também porque, aos condenados, recusava-se sepultura e os bens eram confiscados, enquanto que aos que tiravam a própria vida respeitava-se o testamento e dava-se sepultura ao corpo como recompensa”, escreveu.

Sêneca, tutor de Nero, e Petrônio, escritor, abriram as veias.

Outros preferiram algo mais dramático: o general Quintílio Varo, ao se ver cercado pelos germanos em Teutoburgo, cravou a espada em si mesmo.

Derrotado por Otávio após o assassinato de Júlio César, Marco Antônio fez a mesma coisa. Cleópatra, sua amante, se deixou picar por uma áspide.

O imperador Otão, que reinou por três meses, foi formidável.

Em meio a uma guerra civil, cansado da anarquia, juntou seu exército e fez um discurso solene, declarando: “É mais justo um morrer por todos que todos por um”.

Retirou-se em seguida para sua barraca e deu cabo da existência.

Mas estamos falando de outro tempo e tipo diverso de homens públicos.

Bolsonaro prefere mandar os brasileiros para a morte — não no campo de batalha, mas infectados pelo coronavírus.

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