Despeito e desprezo pela maior jornalista investigativa do Brasil. Por Moisés Mendes

Atualizado em 17 de julho de 2026 às 7:30
A jornalista Juliana Dal Piva. Foto: reprodução

Juliana Dal Piva é há muito tempo a mais importante repórter investigativa do país. Mas não vive da divulgação de vazamentos passados por servidores públicos bolsonaristas que operam dentro das instituições.

A foto de Flávio Bolsonaro com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, foi passada a Juliana, repórter e colunista do ICL, porque ninguém a entregaria a Malu Gaspar, por exmeplo.

Malu Gaspar é especialista na obtenção de informações que saem de dentro da Polícia Federal sobre Vorcaro, para quem Sicário trabalhava. A foto que Juliana divulgou é de 2022 e foi tirada em um hotel da zona sul do Rio.

Flávio Bolsonaro e o Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”. Foto: reprodução

Não é uma foto feita ao acaso, quando uma figura pública encontra um admirador que não conhece. É uma foto de Flávio sem camisa, com correntão, ambos de óculos de sol, em alguma festa de arromba com Sicário, o operador de Vorcaro que foi preso e se matou na cadeia.

Pois o que fez Malu Gaspar, ao comentar na sua coluna no Globo que a foto não teve grande impacto nas redes sociais (outros medidores de engajamento informaram o contrário), mesmo estando na capa de todos os jornais? Além de tentar desqualificar o furo de jornalismo de Juliana Dal Piva, ignorou o nome da colega.

Atribuiu a divulgação da foto ao ICL, sem citar em nenhum momento o nome de Juliana. Mesmo sabendo que informações desse tipo, obtidas com exclusividade, devem ter autoria reconhecida pelos outros veículos. Está no protocolo do jornalismo de alto nível.

Mas Malu Gaspar, a jornalista que trabalha com informante infiltrado dentro da PF, acha que uma imagem como essa, que prova que as relações de Flávio com a estrutura do banqueiro mafioso vêm de muito tempo, não vale muita coisa.

E se não vale, não precisa citar a colega que furou todo mundo e deixou Flávio numa situação ruim. Por que isso acontece? Pela arrogância do colunismo da grande imprensa. Pelo desprezo que essa gente tem por colegas de mídias ‘menores’. E também por inveja.

O jornalismo brasileiro é de novo protagonista na política. Por isso, comentá-lo é obrigação também dos jornalistas, como sempre foi feito em tempo de ditadura e, agora, em tempos só aparentemente normais.

Para quem ainda não sabe, Juliana confirmou a autenticidade da foto com cinco ferramentas de detecção de imagem produzida por Inteligência Artificial. Não há montagem ou manipulação.

É Flávio com Sicário, conversando lá em 2022 sobre amenidades e carioquices, mesmo que não se conhecessem. Flávio não sabia e diz não saber até hoje quem é Sicário. E Sicário hoje não pode dizer se sabe ou não sabe mais nada de ninguém.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/