Devassa promovida pela Lava Jato abriu caminho para um esquema de extorsão. Por Fernando Brito

Agentes da Polícia Federal e da Receita cumprem mandado em fazenda em Lamim (MG) na Operação Descarte, deflagrada em março de 2018 – Polícia Federal-1º.mar.18/Divulgação

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

Extensa e detalhada reportagem de Chico Otávio e e Juliana Castro, em O Globo, acompanha a ação da Polícia Federal que está tentando cumprir 14 mandados de prisão contra funcionários da Receita Federal que faziam extorsões conta pessoas que eram investigadas pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

O chefe do esquema, segundo o texto, era o auditor fiscal Marco Aurélio Canal, supervisor de programação da Receita na operação do Rio, que já havia sido apontado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, como o o autor da invasão e divulgação de suas informações fiscais.

A extorsão começou há três anos e se valia das devassas fiscais ordenadas pela Lava Jato para obrigar os alvos da investigação a pagarem propinas a auditores para que se livrassem das intimações e autuações que eles próprios faziam abrir contra os investigados.

Com o terror da Lava Jato, todos, claro, pagavam.

O esquema, dizem, só foi descoberto porque um dos extorquidos, que fizera um acordo de delação, resolveu contar que foi vítima do golpe, embora seja difícil que a menção pública ao nome de Marco Aurélio Canal, feita por Gilmar em um entrevista, não tenha influído no caso.

Ou que tenha sido este o único episódio onde o terror do lavajatismo não tenha aberto espaço para que os “homens do bem” não tenham feito algum dinheiro com o “combate à corrupção”.

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