Dez mortos: governo apura 45 ataques contra apoiadores de Lula após 2º turno

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 21:34
O ministro-chefe da SG/PR da Guilherme Boulos (PSOL)
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (28) que vai reforçar a investigação de 45 episódios classificados em seu levantamento como violência política no fim de semana do segundo turno das eleições. O balanço apresentado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reúne 47 vítimas, entre elas dez mortos, e abrange ocorrências registradas entre sábado (24) e domingo (25).

Segundo Boulos, as denúncias têm como vítimas apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os autores seriam apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição. As informações são da Agência Brasil.

“Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível”, afirmou o ministro. Boulos disse que o resultado da eleição não pode servir de pretexto para agressões ou assassinatos. Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior número de ocorrências no levantamento.

Além das dez vítimas fatais, três delas indígenas, o balanço relaciona sete vítimas de atropelamentos intencionais, 14 de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos, cinco de disparos e atentados com armas de fogo, cinco de violência e coação contra povos indígenas e seis de abusos de autoridade e violência policial.

Vereadora Iara Pimentel após ataque durante carreata em Montes Claros
Iara Pimentel após ataque durante carreata em Montes Claros (MG), em 24 de outubro. Foto: Reprodução/X/Cláudio Castro

As providências anunciadas incluem a atuação da Polícia Federal em crimes eleitorais, violência política de gênero e violações de direitos humanos, além do envio de denúncias à Procuradoria-Geral da República. Nos episódios com participação de policiais, o governo também prevê acionar corregedorias estaduais e os Ministérios Públicos.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, afirmou que já há dezenas de inquéritos instaurados e que os relatos envolvem crimes de naturezas diferentes. Ele citou racismo, homicídios, lesões corporais e agressões, além de infrações eleitorais e violência política de gênero.

Entre os episódios está o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros, em Minas Gerais. Ela foi atingida no rosto durante uma carreata pró-Lula no sábado, perdeu a consciência e recebeu atendimento do Samu. Segundo os relatos reunidos na reportagem, o carro de som foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos lançados por bolsonaristas.

Em Santos, o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, morreu após ser espancado quando voltava de um ato político e usava um adesivo de apoio a Lula. A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio, roubo seguido de morte, e a motivação política ainda não foi comprovada.

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