Diego Costa e o seu “porque no te calas” a Felipão

Como estranhar sua opção?
O sonho dele é pessoal e intransferível

 

O tão comentado atacante Diego Costa fez um gol hoje no jogo do Atlético de Madri. Sua comemoração foi um sinal de “porque no te calas”, enviado a sabe-se lá quem. Mas não precisa ser gênio para supor que seja a Felipão.

Diego foi envolvido contra sua vontade numa polêmica. Ele tem dupla cidadania. Foi convidado a jogar pela seleção brasileira. Negou. Prefere jogar pela Espanha.

Felipão falou sobre o assunto: “um jogador brasileiro que se recusa a vestir a camisa da seleção brasileira e a disputar uma Copa do Mundo no seu país só pode estar automaticamente desconvocado. Ele está dando as costas para um sonho de milhões, o de representar a nossa seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo no Brasil – disse Felipão, ao site oficial da CBF”.

Desconvocar é direito de Felipão. E falar o que quiser, também é. Tem boca, afinal. Mas falemos sobre o ponto de vista filosófico da declaração do treinador.

Não é da alçada de Felipão julgar por quem Diego Costa quer jogar ou não. Sonhos são pessoais e intransferíveis. O sonho de milhões pode não ser o sonho de um.

Se eu tivesse que escolher entre jogar uma final de Copa do Mundo e produzir um disco com Brian Wilson, aposte seu mindinho que eu escolheria o disco – ainda que eu tivesse a habilidade necessária para jogar.

Trocaria uma Copa do Mundo por compor uma música com David Bowie, por escrever uma letra com Bob Dylan, Chico Buarque ou Caetano Veloso.

Trocaria uma Copa do Mundo por um abraço em John Lennon, se ele estivesse vivo. Por um aperto de mão em Van Gogh. Por um joinha para Ludwig Van Beethoven.

E trocaria tudo isso por ver meu vô Cesar, esforçado, tomar mais um sorvete de limão, uma das poucas coisas que tem conseguido comer esses dias.

A Copa do Mundo não diz nada a mim. Quem me diz é minha família, meus amigos, meus amores, meus ídolos, minhas guitarras, meus palcos, meus estúdios, minhas músicas. Copa do Mundo, para mim, é o prazer de torcer ao lado dos meus amigos. Nada mais que isso. Sem eles, sequer haveria graça. Jogar uma Copa não me interessaria, ainda que eu tivesse talento para tal.

Da mesma forma, a seleção brasileira pode não significar nada para Diego Costa. Ele vive na Espanha há 7 anos. O cara pode ter encontrado seu lugar na Terra. Pode ter encontrado a cultura que tem tudo a ver com ele, com o que ele acredita, com a vida que ele quer levar.

Porquê ele haveria de ter obrigação alguma de honrar o sonho de milhões? Será que esses milhões honrariam seus sonhos?

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Foi Caetano Veloso que disse. É uma de suas grandes frases.

A gente nasce onde nasce. É aleatório. Mas a gente vive onde a gente quer viver. É uma escolha, ou idealmente é. Ninguém deveria ser impedido de buscar seu lugar.E só isso pode guiar Diego Costa.

Quanto a Felipão… bem, porque no te calas?

 

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