Efeito colateral: Dilma anuncia viagem a Campinas e SP em meio a novos “cortes” de Temer. Por Kiko Nogueira

Ela
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O constrangimento a que Temer está submetendo Dilma é perverso, mesquinho e vingativo, fruto sobretudo de enorme insegurança e de pressões que recebe — mas é, também, burro.

Que tipo de homem público acha que medidas como cortar comida, vigiar a casa e limitar a movimentação de uma mulher já em situação de inferioridade podem render algum ganho, alguma simpatia?

Depois de proibir os vôos oficiais, o lance mais recente do interino é suspender o clipping de notícias que ela e assessores próximos recebiam, preparado pela Secom. A “explicação” é a de que estão de olho nos serviços de “espionagem” de Dilma (sim, você leu direito).

O expurgo atinge secretárias, servidores e garçons, tratados como “inimigos da pátria”, enquanto ministros envolvidos em corrupção são mantidos. Muitas das pessoas dispensadas tinham mais de 25 anos de trabalho.

O resultado é o oposto do que ele desejava.

O clichê segundo o qual Dilma cresce na adversidade tem se provado verdadeiro. Ele vira refém de ladrões e ela está sendo acolhida como líder de massas em eventos, falando como nunca conseguiu falando quando tinha diante de si um teleprompter.

Foi confirmada sua viagem a Campinas. Ela deve iria num Azul, com a comitiva, à inauguração das obras do Projeto Sírius, do Centro Nacional de Pesquisa de Energia e Materiais. Acabou se optando por um jato fretado pelo PT.

Lá, será recebida pelo pesquisador Rogério Cerqueira Leite. Trata-se de um acelerador de partículas, tido por especialistas como o maior projeto da história da ciência brasileira.

No dia seguinte, sexta, estará em São Paulo, onde participa de um ato na Paulista ao lado de Lula.

É curioso imaginar como estaria sendo recebido, pelos no pitbulls da mídia, esse pacote de maldades. Um sinal do bolivarianismo e do caráter autoritário esquerdopata, para começar.

Para um sujeito cujo forte eram as articulações de bastidores, que nunca entrou em conflito publicamente com ninguém, a guinada stalinista de Temer pode ser explicada pela fraqueza, e não firmeza, de seu caráter.

É um zelador de condomínio, açulado pelos golpistas que o escolheram a tomar atitudes drásticas contra o “inimigo”. No sonho dessa turma, Dilma ficaria quieta num quarto, passando a pão com manteiga, assistindo o Jornal Nacional e esperando ser decapitada (Danton disse a Robespierre quando ia para a guilhotina: “Tu me seguirás”).

Na vida real, ela continuará na rua, crescendo na foto. Essencialmente, livre, ao contrário de Temer, prisioneiro da gangue dos Cunhas, dos Jucás e dos Skafs que o colocou na cadeira da qual sairá como um anão moral da história do Brasil.

 

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