Dilma e a tortura que não tem fim. Por Moisés Mendes

Atualizado em 29 de dezembro de 2020 às 17:04
Dilma e a tortura que não tem fim. Por Moisés Mendes. Foto: Reprodução/Blog de Moisés Mendes

Publicado originalmente no blog do autor

Os jornais destacam que Fernando Henrique Cardoso se solidarizou com Dilma Rousseff, depois das declarações de Bolsonaro debochando dos que sofreram torturas na ditadura.

Bolsonaro debochou de Dilma Rousseff e de todos os torturados. E FH reagiu. Parece um grande feito. Se FH reagiu, merece manchete. Deve ser porque só reagiram Fernando Henrique, Lula, políticos das esquerdas e um ainda solitário liberal Rodrigo Maia.

E os outros liberais brasileiros? E os militares legalistas e humanistas? E os empresários? Por que tanto silêncio? Bolsonaro impõe tanto medo?

Todos ficarão em silêncio daqui a algum tempo, quando alguém debochar das torturas impostas pela extrema direita eleita aos brasileiros?

O governo de Bolsonaro é uma tortura. Quem irá duvidar dos seus crimes e das suas crueldades, como Bolsonaro duvida das torturas praticadas pelos mandaletes da ditadura?

Bolsonaro debocha dos torturados por saber que todos os torturadores ficaram impunes no Brasil. Brilhante Ustra, o ídolo de Bolsonaro, morreu livre e solto.

Todos os torturadores continuam vivos e livres, impunes, altaneiros. São lembrados e homenageados por Bolsonaro, pelos filhos dele e pelo vice-presidente da República.

Dilma e todos os torturados enfrentam uma tortura sem fim. Não é suficiente que enfrentem as sequelas da violência. É preciso para o fascismo que eles continuem sob tortura.

E Lula, Fernando Henrique e Rodrigo Maia reagem. Mas ninguém mais diz mais nada. O Brasil hoje é mais covarde do que no tempo da ditadura.
(Bolsonaro deve saber quem são os julgadores da Justiça Militar que esconderam o rosto diante de Dilma. Por que escondem? Bolsonaro conhece seus ídolos e poderia ajudar na identificação dos julgadores que não conseguem mostrar a cara.)