Dilma Rousseff e os acenos à aliança do PT com Marta: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão guerra”

Dilma Rousseff no Congresso durante o golpe

A ex-presidente Dilma Rousseff tem uma frase que sintetiza como vê os acenos que são feitos por petistas em direção à ex-prefeita Marta, que teve papel de destaque no golpe que a tirou do poder.

A frase é de Winston Churchill, dita depois que o então primeiro-ministro da Inglaterra, Neville Chamberlain, voltou de um encontro com Hitler em Munique, onde foi assinado um acordo.

A Inglaterra aceitou a anexação pela Alemanha de um território onde hoje fica a República Tcheca, chamada Sudetos. Era, segundo Hitler, a última reivindicação territorial da Alemanha.

Churchill sabia que não seria assim, e criticou Chamberlein:

“Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”, afirmou Churchill.

Batata.

Um ano depois, Hitler comandou a anexação da Polônia e teve início a Segunda Guerra.

Quando perguntada sobre como via os acenos à Marta, Dilma responde: “Podem fazer, mas eu lembro do que disse Churchill a Chamberlein.”

Marta aceita ser vice de Fernando Haddad, em coligação com o PDT, partido a que ela se filiaria.

Há outro problema para que essa aliança se concretize.

“O Ciro Gomes não quer conversa com o PT”, disse um dirigente do PDT.

Dilma tem razões absolutamente compreensíveis para se posicionar contra qualquer aproximação com Marta, mas Ciro Gomes, ao agir assim, mostra que age com o fígado.

Não é o caso de Dilma. A razão dela é política. Ela não usou essas palavras, mas o sentido da frase foi: Marta não se mostrou digna de confiança e vai trair de novo.

A ex-prefeita de São Paulo talvez tenha ultrapassado aquela linha que define o adversário de hoje como o aliado de amanhã.

Foi Tancredo Neves, ministro de Getúlio Vargas, quem afirmou:

“Em política, não se deve estar tão distante do adversário que não se possa vir a tê-lo como aliado, nem tão próximo do aliado que não se possa vir a tê-lo como adversário.”

Marta era do PT e deixou o partido depois de divergências com Dilma. Ajudou a articular o golpe.

Em setembro de 2015, ela propôs a Gabriel Chalita, então secretário de Educação de Fernando Haddad, que traísse o compromisso assumido com o então prefeito e com Lula.

Chalita estava no MDB e seria candidato a vice na tentativa de Haddad de se reeleger. Marta estava entrando no MDB, e pediu que Chalita apoiasse a candidatura dela à prefeitura de São Paulo, na disputa com Haddad.

“Você será ministro da Educação do Michel Temer”, disse.

Como ela sabia que haveria governo Temer se nem a denuncia do impeachment tinha ainda sido aceita?

Obviamente, conspirava, e quis levar Chalita para seu barco.

Ele se manteve leal ao acordo, desonrado por Michel Temer. Com a entrada de Marta no MDB na condição de que seria candidata a prefeita, Chalita foi para o PDT e perdeu a eleição com Haddad.