Direção do colégio estadual Hugo Simas é perseguida em Londrina (PR)

Publicado no Brasil de Fato

Grupo de São Paulo retratou ocupação de mais de 100 colégios em 2016 / Divulgação Filo

Parte da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo), a peça “Quando Quebra Queima” apresentada em uma das principais escolas públicas de Londrina, o colégio estadual Hugo Simas, gerou polêmica depois de protesto nas redes sociais por parte da mãe de um dos alunos, sugerindo doutrinação e repudiando o conteúdo de diversidade da apresentação.

Na última terça-feira (5), houve tentativa de um ato de grupos conservadores diante da escola pública.

A apresentação é construída a partir das experiências de ocupação das escolas em 2016, em São Paulo, abordando também questões de valorização da diversidade, importância da educação, entre outros temas.

A partir daí, grupos contrários à temática da diversidade passaram a se manifestar e pressionar diretamente componentes da direção da escola. O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) manifestou-se nas redes sociais e prometeu fazer quatro denúncias contra o colégio, voltadas ao Ministério da Educação, Ministério da Família, Núcleo Regional e Ministério Público local.

Por sua vez, a Comissão organizadora da mostra manifestou-se em defesa do direito a apresentar seu conteúdo. Diz o documento:

“O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil garante a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

A direção da escola Hugo Simas também manifestou-se por meio de uma nota, na qual afirma: “O respeito à diversidade, a liberdade de aprender e ensinar e o pluralismo de ideias encontram proteção no texto da Constituição Federal (CF, art. 3º, inc. IV e art. 206, inc.II), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e em diversas leis e instruções normativas estaduais, tais como a lei 16.454/2010, que instituiu o Dia Estadual de Combate a Homofobia no Paraná e a Instrução n 010/2010-SUED/SEED, que regulamenta a ação das Equipes Multidisciplinares para tratar da Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira, Africana e Indígena”.

Em apoio à diretora da escola Hugo Simas, o chamado Comitê Unificado de Londrina, que envolve movimentos populares, manifestou-se pela liberdade de expressão, direito à arte e contra qualquer forma de censura e perseguição contra a direção da escola.

Confira a íntegra da nota:

Nota do Comitê Unitário

O comitê unificado que, luta pela defesa de direitos em Londrina, vem manifestar seu apoio à direção da escola do Hugo Simas, a todos os envolvidos na peça de teatro, Quando Quebra Queima, que estão sofrendo ataques que de pior há na sociedade londrinense, a extrema direita, na liderança do deputado federal Filipe Barros, do PSL, e sua ignorância e oportunismo. Eles trazem o famigerado argumento da escola amordaçada para atacar a direção e professores da escola.

No dia 1 de novembro de 2019, no Colégio Estadual Hugo Simas, foi apresentado uma peça de teatro, Quando Quebra Queima, retratando o movimento Primavera Secundarista (de lutas dos estudantes quando o governo do Estado de São Paulo apresentou o fechamento de mais 100 escolas estaduais). Peça que trabalhava questão das juventudes, da valorização da diversidade, do acesso à educação, dentre outros temas importantes na formação dos jovens na atualidade.

É interessante perceber que um partido e uma ideologia, a do PSL, quer se impor, por meio de sua conhecida estupidez, indo contra a livre expressão artística, fundamental para a garantia de direitos da educação.

É necessário afirmar a importância da arte e da diversidade de pensamento para o aprendizado e o desenvolvimento da criança e adolescente.

Todo apoio a educação livre, artística e soberana!

Atenciosamente,

Comitê Unificado

Londrina, 6 de novembro 

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