
O parlamentar iraniano Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que o Irã nunca abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. Em entrevista à BBC News, em Teerã, Azizi classificou o domínio sobre a via como um “direito inalienável” do país e disse que caberá ao próprio governo iraniano decidir sobre o direito de passagem de embarcações, inclusive com a concessão de permissões para travessia.
Presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa no parlamento iraniano, Azizi informou que um projeto de lei está sendo apresentado para formalizar esse controle com base no artigo 110 da Constituição.
Segundo ele, a proposta trata de temas como meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional, e deverá ser executada pelas forças armadas. A iniciativa surge em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e à preocupação internacional com possíveis restrições à navegação no estreito.
A declaração reforça a posição mais dura adotada por Teerã depois do conflito recente e em um momento de fortalecimento de setores ligados à Guarda Revolucionária. Azizi afirmou que o estreito passou a ser tratado pelo Irã como um trunfo estratégico diante de seus adversários.

Na avaliação de analistas, o controle do Estreito de Ormuz ocupa papel central na estratégia iraniana do pós-conflito. O pesquisador Mohammad Eslami, da Universidade de Teerã, avalia que a medida é considerada essencial para restaurar a capacidade de dissuasão do país e ampliar sua influência em futuras negociações.
Às vésperas do fim do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, previsto para a noite desta quarta-feira (22), o governo iraniano também elevou o tom em relação às negociações marcadas para Islamabad.
Fontes de Teerã transmitiram uma mensagem que resume a lógica do regime neste momento: “Os americanos precisam aprender que negociar é dar e receber”. A frase, segundo os bastidores revelados pela CNN Brasil, mostra a tentativa iraniana de transformar a dúvida sobre comparecer ou não ao encontro em instrumento de pressão diplomática.
De acordo com as informações, o Irã aceita discutir a ampliação do período em que ficaria impedido de enriquecer urânio, admite entregar seu estoque de urânio altamente enriquecido a um país aliado, como o Paquistão, e também sinaliza com a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em troca, cobra o fim do bloqueio estadunidense à região, o levantamento das sanções econômicas, o descongelamento de depósitos mantidos no exterior e o abandono da exigência de que o país nunca mais possa manter um programa nuclear com fins pacíficos.
O impasse também envolve Donald Trump. Segundo a avaliação exposta no texto, o presidente dos Estados Unidos enfrenta dificuldade política para ceder porque já admitiu, em publicação na própria rede social, que não pode encerrar a crise assinando um acordo semelhante ao firmado por Barack Obama com Teerã em 2015 e desmontado por ele em 2018.
Naquele pacto, o Irã podia enriquecer até 300 quilos de urânio a 3,67%, nível considerado suficiente para geração de energia, ao longo de 15 anos.