Diretor da PF afastado por Mendonça barrou ação golpista de Anderson Torres em 2022

Atualizado em 8 de setembro de 2026 às 11:44
Leandro Almada, diretor afastado da PF. Foto: reprodução

O diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada da Costa, afastado nesta terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve participação direta na resistência a uma operação proposta pelo governo de Jair Bolsonaro durante o segundo turno das eleições de 2022.

Na época, Almada comandava a Superintendência da PF na Bahia. Cinco dias antes da votação, o então ministro da Justiça Anderson Torres e o diretor-geral da corporação, Márcio Nunes, viajaram ao estado e solicitaram uma atuação conjunta entre policiais federais e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A proposta previa o reforço de ações ostensivas em localidades nas quais Lula (PT) havia recebido votação expressiva no primeiro turno. Documentos encontrados posteriormente mostraram que o Ministério da Justiça produziu um mapa com cidades onde o petista havia obtido seus melhores resultados.

Em depoimento prestado à PF em 2023⁠, Almada confirmou o pedido, mas afirmou que decidiu não integrar a instituição à operação por “achar inadequado”. A equipe baiana manteve o planejamento próprio da Polícia Federal, sem ações conjuntas com a PRF.

O golpista Anderson Torres. Foto: reprodução

O delegado também relatou que Torres mencionou supostas compras de votos e a atuação de facções criminosas em favor do PT. Segundo Almada, parte dessas informações já havia sido verificada pela PF e classificada como falsa. Seu depoimento contrariou as versões apresentadas pelo ex-ministro e por Márcio Nunes, que negaram ter solicitado a operação conjunta.

As blitze realizadas pela PRF no segundo turno concentraram-se no Nordeste, região na qual Lula liderava a disputa. A Polícia Federal investigou se as abordagens tiveram como objetivo dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

Almada, de 55 anos, também participou das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Antes de assumir a Diretoria de Inteligência, comandou as superintendências da PF no Amazonas, na Bahia e no Rio de Janeiro.

Mendonça afastou Almada e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, após questionar a produção de relatórios de inteligência usados por Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio ministro. A Segunda Turma formou maioria para manter a decisão, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes. Os afastamentos continuam válidos.

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