Diretor de Contraterrorismo dos EUA abandona Trump e renuncia: “Não posso apoiar a guerra”

Atualizado em 17 de março de 2026 às 14:11
Joseph Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos. Foto: Divulgação

Joseph Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, anunciou sua renúncia hoje em uma carta aberta ao presidente Donald Trump. A decisão dele, que é o primeiro funcionário do governo do republicano a se demitir devido ao conflito com o Irã, é um dos primeiros casos de renúncia explícita relacionada a divergências políticas significativas, conforme relatado pelo ‘New York Times’.

“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, diz Kent na carta. Ele argumenta que o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que o conflito havia sido iniciado por pressão de Israel. “Está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”, afirmou Kent.

Veterano da guerra do Iraque e oficial antiterrorismo de renome, Kent também criticou a “campanha de desinformação” que, segundo ele, foi promovida por altos funcionários israelenses e pela mídia, com o objetivo de semear sentimentos pró-guerra nos Estados Unidos.

“Como veterano que serviu em combate 11 vezes e como marido de uma militar condecorado com a Estrela de Ouro, que perdeu a amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas”, diz ele. Leia a carta:

O ex-diretor lamentou a perda de vidas americanas e questionou o valor de uma guerra que, em sua visão, não trazia benefícios concretos para os EUA. “Até junho de 2025, o senhor compreendeu que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubava dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas e dilapidava a riqueza e a prosperidade de nossa nação”, afirmou.

Kent também fez um apelo direto a Trump, pedindo-lhe que reconsiderasse sua posição e alterasse o curso da política externa dos EUA. “Oro para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Você pode reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode nos permitir deslizar ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos. Foi uma honra servir em sua administração e servir nossa grande nação.”, escreveu ele.

O ex-chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo não obteve respostas imediatas de representantes da Casa Branca ou do gabinete de Inteligência Nacional. Ele tem sido um conselheiro próximo de Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional, e sua renúncia pode gerar repercussões dentro da estrutura de segurança nacional dos EUA.

A guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro de 2026, já causou a morte de mais de 2.000 pessoas, entre civis e militares, segundo dados da agência Reuters.

O Irã registra cerca de 1.300 mortes, enquanto o Líbano contabiliza 773 vítimas, incluindo combatentes do Hezbollah que entraram no conflito em apoio ao governo iraniano. O número de mortos também inclui 13 militares dos EUA, vítimas de uma queda de aeronave e confrontos diretos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.