
Um ex-funcionário do Banco Master e dirigente da Tirreno, empresa usada para originar créditos que somaram R$ 12,2 bilhões vendidos ao Banco de Brasília, é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais. André Felipe de Oliveira Seixas Maia também era sócio de uma empresa apontada como central em esquema de bets clandestinas.
Segundo investigação da Polícia Civil de São Paulo, a empresa atuava como “peça central na engrenagem financeira” de uma organização criminosa voltada a jogos de azar ilegais. A defesa afirma que o empresário não cometeu ilícitos e que isso será comprovado ao longo do inquérito, que corre sob sigilo.
Após diligências policiais em março de 2025, Maia e outros sócios deixaram a intermediadora de pagamentos Silium, que mudou de nome para Nuoro Pay. Para a polícia, a alteração “sugere tentativa de reorganização societária ou ocultação da verdadeira estrutura de controle da empresa”.
No período, a Tirreno cedeu ao Master cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos sem histórico claro de pagamento. O Master, então, repassou esses ativos ao BRB por R$ 12,2 bilhões. A Polícia Federal aponta que se tratava de créditos inexistentes, com uso da Tirreno como empresa de fachada.

Em paralelo, a investigação sobre bets aponta que a Silium/Nuoro Pay gerenciava contas de empresas de fachada que recebiam valores de apostas ilegais, incluindo jogos como o “tigrinho”. Os recursos seriam fragmentados por meio de “contas-bolsão” para dificultar o rastreamento.
O Ministério Público de São Paulo afirma que há indícios de estrutura “sofisticada e ramificada, com atuação transnacional, voltada à prática de jogos de azar, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro”.
A apuração sobre as bets não indica ligação direta com as operações do Master, mas investigadores avaliam que revela a complexidade das frentes investigadas envolvendo executivos ligados ao banco.