Diretora da revista Época critica cobertura da Globo na imprensa estrangeira. Por Raymundo Gomes

A crítica de Daniela na New Yorker

 

POR RAYMUNDO GOMES

Em declaração à revista americana New Yorker, Daniela Pinheiro, diretora de redação da revista Época, que pertence ao Grupo Globo, fez uma rara crítica à cobertura da própria emissora às manifestações do #elenão do final de setembro.

Em um perfil de Bolsonaro publicado neste sábado, o repórter Jon Lee Anderson relata que entrevistou Daniela.

Ela disse: “A TV brasileira não cobriu bem os protestos, e no dia seguinte o pessoal do Bolsonaro espalhou um monte de fake news, incluindo mulheres nuas mijando nas ruas e dizendo: ‘É isso que o PT quer fazer com nossas mulheres e filhos.'”

Ao falar que “a TV brasileira não cobriu bem os protestos”, certamente Daniela não estava se referindo à Record ou ao SBT, que têm baixa audiência.

“TV brasileira”, para todos os efeitos, é a Globo.

A cobertura do Jornal Nacional e dos demais telejornais da Globo em geral foi criticada, no dia das manifestações, por ter feito uma falsa equivalência entre os gigantescos protestos contra Bolsonaro e as tímidas manifestações de apoio simultâneas ao candidato da extrema-direita.

A crítica de Daniela é uma rara manifestação “interna” e sinaliza uma insatisfação de parte dos jornalistas “da casa” contra as decisões editoriais de Ali Kamel, diretor de jornalismo.

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