Discord terá cinco dias para explicar como protege crianças e adolescentes

Atualizado em 7 de agosto de 2026 às 22:21
Discord
Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu nesta sexta-feira (7) um processo de fiscalização contra o Discord para investigar possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes. A plataforma terá cinco dias úteis para prestar informações sobre os mecanismos adotados para prevenir violações graves envolvendo menores de 18 anos.

A investigação é baseada no ECA Digital, em vigor desde março, e abrange diferentes obrigações impostas às plataformas. A ANPD quer informações sobre medidas para impedir ou reduzir a exposição de menores a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio, mecanismos de aferição de idade, retirada de conteúdos que violem direitos de crianças e adolescentes e comunicação às autoridades competentes.

A abertura da fiscalização não significa que o Discord já tenha sido considerado responsável por alguma infração. O procedimento servirá para apurar os indícios identificados pela agência. Caso irregularidades sejam constatadas e a apuração avance para a esfera sancionatória, a legislação prevê penalidades que podem incluir multas de até R$ 50 milhões por infração.

O Discord já estava no radar da ANPD antes do caso atual. No início deste ano, a plataforma foi incluída entre 37 empresas submetidas a um monitoramento sobre a implementação das regras do ECA Digital. A agência informou na ocasião que poderia abrir fiscalizações específicas a qualquer momento diante de denúncias ou de situações consideradas de elevado risco para crianças e adolescentes.

A pressão sobre a empresa aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. A Polícia Civil investiga a atuação de um grupo virtual que teria submetido a menina a manipulação, ameaças e outras formas de violência psicológica pela internet. Em uma operação realizada nesta semana, cinco adolescentes foram apreendidos e um jovem de 18 anos foi preso sob suspeita de envolvimento no grupo.

O episódio também provocou reação do governo federal. A primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu publicamente que o Discord fosse retirado do ar e cobrou providências do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União. A fiscalização da ANPD abre agora uma frente regulatória própria para verificar se os mecanismos adotados pela plataforma cumprem as obrigações de proteção estabelecidas pelo ECA Digital.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!