Discurso bolsonarista e pouca entrega: o primeiro ano de mandato de Jair Renan

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 23:48
Vereador Jair Renan (PL) durante discurso na tribuna da Câmara de Balneário Camboriú (SC) em 19 de março de 2025; o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem 27 anos e exerce seu primeiro mandato eletivo. Foto: Reprodução/@camarabc/youtube

O vereador Jair Renan Bolsonaro completou um ano de mandato na Câmara Municipal de Balneário Camboriú com presença frequente em plenário, mas participação limitada nos debates e pouca articulação política. Apesar de ter comparecido a cerca de 90% das sessões, sua atuação foi marcada por discursos esporádicos e baixa interlocução com outros vereadores.

Quando utilizou a tribuna, Jair Renan adotou retórica alinhada ao bolsonarismo, com repetição de slogans e temas associados ao discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre as propostas apresentadas, estão projetos voltados à proteção de símbolos nacionais, como punições para atos de vandalismo contra bandeiras, e a defesa do canto semanal do hino nacional em escolas municipais.

O vereador também atuou para restringir ações de saúde pública no ambiente escolar, ao condicionar a vacinação de crianças ao consentimento expresso dos pais. A justificativa apresentada por seu gabinete enfatiza o papel das famílias na tomada de decisões sobre a saúde dos filhos, posição que dialoga com críticas feitas pelo bolsonarismo durante a pandemia da Covid-19.

Jair Bolsonaro e filhos homens. Foto: Reprodução

Na relação com o Executivo municipal, Jair Renan votou contra o aumento do IPTU, mas apoiou outras medidas da prefeita Juliana Pavan, como a regulamentação da internação involuntária de pessoas em situação de rua com dependência química. Ele foi relator da proposta e defendeu o texto em plenário, além de apresentar indicações administrativas voltadas à zeladoria urbana e à atuação da Guarda Municipal.

Os embates mais evidentes ocorreram no campo simbólico e histórico. Jair Renan foi o único vereador a votar contra a criação do Dia Municipal da Democracia, que homenageia Higino João Pio, ex-prefeito morto durante a ditadura militar. No debate, criticou a Comissão Nacional da Verdade, instituída durante o governo de Dilma Rousseff, e afirmou que a pauta havia sido “raptada pela extrema esquerda”.

O parlamentar também se posicionou contra a retificação oficial da certidão de óbito de Higino Pio, que passou a reconhecer o assassinato cometido pelo Estado brasileiro, conforme apurado por comissões da verdade e determinado pelo CNJ. As posições reforçam o alinhamento ideológico de Jair Renan ao discurso da família Bolsonaro e ajudam a explicar o perfil discreto, porém polarizador, de seu primeiro ano no Legislativo catarinense.