Dispensa de médicos cubanos pode custar R$ 1,5 milhão ao mês para São Paulo

Profissionais cubanos que atuavam no Mais Médicos José Cruz/Agência Brasil

Publicado na Rede Brasil Atual

Com o rompimento da relação entre Brasil, Organização Panamericana de Saúde (Opas) e Cuba no programa Mais Médicos devido às declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), a capital paulista pode ter de arcar com um custo adicional de aproximadamente R$ 1,5 milhão por mês para repor os 72 médicos cubanos que atuavam na cidade. O governo federal já lançou edital com 78 vagas para São Paulo, mas ainda não há informações se as vagas serão preenchidas e como. O Ministério da Saúde informou na sexta-feira (23) que 86% das vagas foram ocupadas e as inscrições seguem até o dia 7 de dezembro.

A prefeitura de São Paulo investia aproximadamente R$ 3 mil por médico para custeio de alimentação, transporte e moradia. A bolsa de R$ 11 mil era paga pelo governo federal. Caso a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) tenha de repor os médicos por conta própria, o custo seria elevado a aproximadamente R$ 20 mil, considerando que a contratação se daria por uma das Organizações Sociais de Saúde (OSS) que administram os equipamentos da área na cidade e não por concurso público.

Os médicos cubanos atuavam especificamente na periferia da capital paulista, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF). Cada médico chefia uma equipe responsável pelo atendimento de 3.500 pessoas, em média, o que totaliza cerca de 250 mil pessoas atendidas por profissionais cubanos no Mais Médicos, em São Paulo.

Na Região Metropolitana de São Paulo, outros 193 profissionais cubanos atuavam nas cidades de Guarulhos, Osasco, Itapevi, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Diadema, São Bernardo, Santo André e Mauá. Em todo o estado são 1.406 vagas abertas com a saída dos cubanos. Em várias unidades de saúde as consultas estão sendo adiadas e novos agendamentos estão cancelados até que saia o resultado do edital.

Segundo a vereadora Juliana Cardoso (PT), não se sabe como a cidade vai lidar com a situação e se há espaço no orçamento para essa contratação. “Nós precisamos que a Secretaria [Municipal] da Saúde se posicione e explique como pretende lidar com a situação. Não podemos deixar tantas pessoas sem atendimento por conta das bravatas do presidente eleito”, afirmou.

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirmou que aguarda providências e orientações do Ministério da Saúde em relação à expectativa sobre as datas de desligamento dos profissionais e à reposição das vagas. “A cidade de São Paulo tem 72 médicos cubanos que atuam pelo Mais Médicos. No total, a rede tem aproximadamente 13 mil médicos atendendo em todas as suas unidades”, diz o documento.

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