Disputa por vaga no TCU amplia desgaste entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Atualizado em 19 de abril de 2026 às 11:01
Jair Bolsonaro e Flavio Bolsonaro – Foto: Lula Marques/Agência Brasil – Arquivo

A eleição de um novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), realizada pelo Congresso Nacional na última semana, gerou um novo episódio de tensão entre integrantes da família Bolsonaro. O episódio envolveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após divergências sobre o apoio a candidaturas.

Flávio participou inicialmente do anúncio da deputada Soraya Santos (PL-RJ) como candidata ao cargo. No entanto, no dia da votação, liderou um movimento dentro do partido para que a parlamentar desistisse da disputa e apoiasse o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA). A articulação não se concretizou, e o deputado Odair Cunha (PT-MG) foi eleito pela Câmara e posteriormente referendado pelo Senado.

Michelle Bolsonaro apoiava Soraya Santos e manifestou insatisfação após a retirada da candidatura. Em uma rede social, escreveu: “Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!”. O episódio ampliou o distanciamento entre os dois no contexto político recente.

Outros episódios também marcaram divergências internas. No início de abril, Michelle interveio em uma discussão envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na rede X. Após a troca de mensagens, Flávio publicou um vídeo pedindo união entre aliados: “O momento é de pacificação e união. Vamos olhar para frente. O que mais importa, agora, é o futuro do nosso Brasil”. Nikolas respondeu: ”Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte, chegaremos lá“.

Em março, durante evento nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro mencionou o envio de uma gravação ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e está impedido de utilizar celular e redes sociais. Em resposta, Michelle divulgou nota afirmando: “Desconhecemos o contexto e a motivação para a utilização dos termos exatos mencionados por ele na sua fala, os quais parecem ter levado a uma interpretação equivocada por parte da imprensa e de algumas autoridades. Temos convicção de que essa não era a intenção de Eduardo.”

Outro episódio ocorreu em dezembro de 2025, durante discussões sobre a disputa pelo governo do Ceará. Enquanto filhos de Jair Bolsonaro apoiaram uma possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB-CE), Michelle defendeu o senador Eduardo Girão (Novo-CE). Em discurso, afirmou: “Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos?”. Após as divergências, Flávio acusou a madrasta de agir de forma “autoritária e constrangedora”, com apoio de outros membros da família.