Ditadura: FBI faz busca na casa de repórter do Washington Post e apreende equipamentos

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 17:28
A repórter Hannah Natanson. Foto: Reprodução

O FBI realizou, na manhã de quarta-feira, uma busca na residência da repórter Hannah Natanson, do Washington Post, em busca de supostas informações sigilosas, segundo informou o jornal. A jornalista estava em casa, na Virgínia, quando agentes cumpriram o mandado judicial.

Durante a operação, foram apreendidos um telefone celular, dois computadores portáteis — um deles fornecido pelo Washington Post — e um relógio Garmin.

De acordo com o jornal, os investigadores afirmaram que o mandado está ligado a uma investigação em andamento contra Aurelio Perez-Lugones, descrito em documentos do FBI como contratado do governo. Ele foi denunciado na semana passada em um tribunal federal de Maryland, acusado de manter ilegalmente informações relacionadas à defesa nacional.

Os agentes informaram à repórter que ela não é alvo da investigação. O Washington Post destacou que Natanson atua na cobertura do funcionalismo público federal.

O FBI não respondeu a pedidos de esclarecimento da ABC News. Ainda assim, o diretor da agência, Kash Patel, afirmou em redes sociais que o FBI cumpriu um mandado contra “um indivíduo do Washington Post” que estaria obtendo e divulgando informações militares sigilosas a partir de um contratado do governo, o que, segundo ele, colocaria em risco militares americanos e a segurança nacional. Patel disse ainda que o suposto responsável pelo vazamento foi preso e permanece sob custódia.

Agentes do FBI. Foto: Divulgação

A procuradora-geral Pam Bondi também comentou o caso nas redes sociais. Segundo ela, a pedido do chamado Departamento de Guerra, o Departamento de Justiça e o FBI executaram o mandado na casa de uma jornalista do Washington Post que estaria publicando informações classificadas vazadas ilegalmente por um contratado do Pentágono. Bondi afirmou que o governo Trump não aceitará vazamentos ilegais de informações classificadas que representem riscos à segurança nacional e aos integrantes das Forças Armadas.

A operação provocou reação imediata de organizações ligadas à defesa do jornalismo nos Estados Unidos.

O Reporters Committee for Freedom of the Press, uma entidade sem fins lucrativos que presta apoio jurídico a jornalistas e veículos de imprensa e atua na defesa da liberdade de imprensa e do direito à informação, classificou a busca como uma das medidas investigativas mais invasivas que as autoridades podem adotar. Para a organização, a ação representa uma forte intensificação das interferências do governo sobre a atuação independente da imprensa.

Já o National Press Club, associação profissional fundada no início do século XX que reúne jornalistas de diferentes meios e países e promove debates, eventos públicos e a defesa da liberdade de imprensa, afirmou que é extremamente raro e preocupante que autoridades façam buscas na casa de um jornalista e apreendam equipamentos de trabalho.

A entidade reconheceu que o governo tem a responsabilidade de proteger informações sigilosas, mas ressaltou que essa obrigação não pode se sobrepor às garantias constitucionais que permitem o exercício do jornalismo. Segundo o grupo, qualquer ameaça a essas garantias deve ser tratada com seriedade.