Moraes explica por que Bolsonaro foi alvo de operação da PF

Atualizado em 8 de julho de 2026 às 13:09
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

Inconsistências nas informações sobre o paradeiro de armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) motivaram a operação de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quarta-feira (08), na casa em Brasília onde ele cumpre prisão domiciliar. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a medida.

Na decisão, Moraes apontou divergências entre os locais indicados pela defesa e o número de armas efetivamente entregues. O ministro afirmou que “sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes”.

O magistrado também escreveu que a situação “evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial” e recomenda providências para localizar e apreender armamentos “eventualmente mantidos sob o poder do condenado”.

Em 3 de julho, Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro e determinou a apreensão imediata de todas as armas de fogo vinculadas ao ex-presidente. A defesa tinha prazo de 48 horas para providenciar a entrega do armamento à Superintendência da PF no Distrito Federal.

Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

Defesa e Exército detalham paradeiro das armas

A defesa informou inicialmente que oito armas estavam em um batalhão do Exército e outras duas com a Polícia Federal. O Exército, porém, localizou apenas seis armas de Bolsonaro para entrega à Superintendência, o que levou os advogados a enviar novo esclarecimento ao STF.

O advogado João Henrique Freitas, defensor de Bolsonaro, relatou no X que acompanhou a busca na residência do ex-presidente. Segundo ele, o mandado assinado por Moraes procurava armas, munições, acessórios e documentos de registro; a operação durou cerca de uma hora, e Freitas afirmou que nada foi encontrado.

O tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, comandante do Batalhão de Polícia do Exército, informou que duas armas não foram localizadas nas dependências do batalhão: uma pistola Glock calibre 9 mm e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12. O Exército entregou à PF uma pistola Taurus calibre .380 Automatic, uma pistola Taurus calibre .40 S&W, uma carabina/fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm, uma espingarda Typhoon calibre 12 GA, uma pistola Arex calibre 9×19 mm e uma pistola SIG Sauer calibre 9×19 mm.

Em petição ao Supremo, os advogados afirmaram que a espingarda Maestro Arms Company permaneceu desde a aquisição sob guarda da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, em Caxias do Sul (RS). A defesa alegou que o armamento, recebido por Bolsonaro como presente, “nem sequer chegou a ser retirado das dependências da empresa”.

O caso das armas de Bolsonaro ganhou novo capítulo após a Polícia Militar do Distrito Federal apreender, na madrugada de 15 de junho, uma arma registrada em nome do ex-presidente durante abordagem envolvendo um agente de segurança, o que levou à abertura de inquérito. Em depoimento, Bolsonaro admitiu que a arma era sua e estava em sua residência, no condomínio Solar de Brasília, durante a prisão domiciliar; ele teria dito que “tem três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”.

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