Djokovic só não vai ganhar Roland Garros se der uma zebra

O terror de Nadal
O terror de Nadal

Ladies & Gentlemen:

Boss, para me compensar do aborrecimento de cobrir os maus jogos do Campeonato Brasileiro, me escalou para cobrir tênis também para o DCM.

Quase fui profissional, como já disse uma vez, em minha juventude em Manchester. Melhor: quis ser profissional, mas aos 18 anos vi que tinha mais vontade que talento, e optei pelo jornalismo.

Bem, vi com prazer esta primeira semana de Roland Garros. E ficou clara uma suspeita que já tinha antes de começar o torneio: Djokovic é o favorito, e não Nadal.

Hoje, contra um argentino do escalão médios, Nadal venceu no erro. O argentino atacou o tempo todo. Fez, basicamente, todos os pontos – os seus, ao acertar, e os de Nadal, ao errar.

Nadal dependeu dos erros.

O problema é que contra Djokovic isso não tem funcionado. Djokovic faz Nadal se defender obsessivamente, mas como acerta muito mais que erra, leva vantagem.

Nadal é obrigado a atacar, diante da artilharia do sérvio. Mas aí ele sai de sua zona de conforto. E tem perdido. Parece, a certa altura, que tudo que Nadal ambiciona, contra Djokovic, é que a partida acabe rápido.

Djokovic virou um terror para Nadal. Djoko está para o espanhol assim como este está para Federer.

A bola com a qual Nadal destrói Federer – alta, cheia de efeito, na esquerda – não incomoda Djokovic. Djokovic devolve-a com tranquilidade, como se estivesse jogando num clube num domingo. Pega-a com as duas mãos na hora em que ela acaba de sair do piso e cria imensas dificuldades para Nadal.

E mentalmente Djokovic é tão forte quanto Nadal: tem paciência para trocar bolas durante horas, se necessário.

A não ser que uma surpresa ocorra, Djokovic deixará Paris campeão, e como número 1. O que na verdade já é. Mesmo como número 2, é o melhor jogador de tênis do mundo hoje.

Apostei 100 libras em Djoko. E já estou gastando por conta.

Sincerely.

Scott

Tradução: Érika Kazumi Nakamura

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.