Doação de R$ 2 milhões da família Pasternak viabilizou projeto do ventilador pulmonar

Natalia Pasternak zoa Bolsonaro e diz que a cloroquina não foi testada em emas porque elas “fugiram”. Foto: Reprodução/TV Senado

Nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter devido sua participação na CPI da Covid. Em sua fala, Natalia destacou sua posição contra o negacionismo do governo Bolsonaro que levou a morte de quase 500 mil brasileiros.

A cientista rebateu o discurso do senador Luiz Heinze (PP-RS) em defesa da cloroquina. “Nesses 15.670.754 vidas, tem cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, anita, ivermectina, que começaram com elas e viraram vitaminas”, disse o senador.

“Essas 15 milhões de pessoas também tomaram ‘cházinho’ da avó, deram 3 pulinhos e uma volta no quarteirão, senador”, rebateu Pasternak.

Para além de suas declarações a favor da ciência, Natalia e sua mãe, a professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Suzana Pasternak, fizeram uma doação de R$ 2 milhões para serem investidos no ventilador pulmonar Inspire.

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem de Erika Yamamoto no Jornal da USP:

No começo de abril, quando a evolução da covid-19 no Brasil ainda estava na fase inicial, a microbiologista Natalia Pasternak Taschner ficou sabendo de um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) que planejava desenvolver um ventilador pulmonar de baixo custo, com tecnologia nacional.

Ela entrou em contato com o grupo para oferecer ajuda e constatou que o projeto precisava de um grande aporte financeiro para a compra de insumos e desenvolvimento do protótipo. Natalia e sua mãe, a professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Suzana Pasternak, mobilizaram recursos da família e fizeram uma doação de R$ 2 milhões para serem investidos no ventilador pulmonar Inspire.

“É muito gratificante saber que nossa doação viabilizou um trabalho sério, dedicado, que fará a diferença e poderá salvar muitas vidas. A pesquisa científica é cara e requer grandes investimentos. É importante que as pessoas entendam que as doações da iniciativa privada não significam uma ameaça à ciência, pelo contrário, é o fortalecimento da pesquisa científica, e o retorno disso para a sociedade é imensurável”, explica a professora Suzana Pasternak.

Questão de ciência

A microbiologista e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Natalia Pasternak, tem se destacado como divulgadora científica e incentivadora do financiamento de pesquisas no Brasil.

“A filantropia voltada para a ciência é muito comum nos Estados Unidos e na Europa, existem incentivos fiscais e uma cultura de apoio e valorização das instituições científicas. No Brasil, isso praticamente não existe. Mas o panorama do financiamento da ciência está mudando, e os pesquisadores já vinham sofrendo com corte de bolsas e escassez de recursos públicos mesmo antes da pandemia. Por isso é preciso criar uma cultura de filantropia aqui e mostrar como o investimento em ciência traz grandes benefícios para toda a sociedade”, explica Natalia.

No final de 2018, ela investiu recursos próprios para a criação do Instituto Questão de Ciência, uma associação sem fins econômicos, lucrativos, político-partidários ou religiosos, voltada para a defesa do uso de evidência científica nas políticas públicas. Além de promover eventos científicos, publicar a Revista Questão de Ciência e elaborar pareceres jurídicos e relatórios para embasar a formulação de políticas públicas, o instituto tem se empenhado em desenvolver ações para incentivar a doação direcionada às instituições de pesquisa.

Entre as iniciativas estudadas estão a criação de um hub de filantropos; o aperfeiçoamento de modelos que facilitem a interação entre investidores e instituições de pesquisa; a formação de um endowment para patrocínios de bolsas e projetos; e a avaliação de propostas de mecanismos legais que incentivem a doação para a ciência.

Projeto Inspire

O Projeto do Ventilador Pulmonar Inspire surgiu com o objetivo de desenvolver um equipamento de baixo custo, livre de patente, de rápida produção e com insumos nacionais, para oferecer uma alternativa e suprir uma possível demanda emergencial do aparelho causada pela pandemia da covid-19.

Em abril, o protótipo foi aprovado em testes realizados com quatro pacientes do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente, o equipamento passa por testes para avaliação da imunidade eletromagnética, última exigência técnica para obter a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O aparelho foi registrado com uma licença open source, que permite a qualquer pessoa ou empresa acessar o protocolo de manufatura e fabricá-lo, bastando, para tanto, obter uma autorização da Anvisa.

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